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quinta-feira, maio 24, 2007

Balanço | Arbitragem | Parte 1

Na recta final de mais uma época desportiva importa reflectir, não apenas nos pontos fracos mas também saber onde estivemos fortes ou melhores que no passado.

Para além dos assuntos polémicos como a questão dos campos, do sistema competitivo escolhido em vários escalões, bla bla bla..., é incontornável que a arbitragem seja um dos alvos desta análise.

É um facto que ingressei este ano na "carreira" de árbitro, portanto é possível que esta análise não seja completamente imparcial e isenta, mas como este é um blog clubístico mais parcialidade menos parcialidade é igual ao litro.

Esta foi uma época em que a arbitragem conheceu vários avanços, muito impulsionados pela subtituição do órgão que gere esta área. Com um novo Concelho de Arbitragem, com novas caras e nova credibilização, com mais recursos e mais organização.


A meu ver, uma das grandes iniciativas que apareceu durante esta temporada foi a Escola de Jovens Árbitros, sob alçada da Associação de Rugby do Sul, principalmente impulsionada por árbitros seniores como Ferdinando de Sousa, João Mourinha, Mendes Silva, Arnaldo Neto, David Jackson, Cunha e Silva. Com cerca de 50 formandos e com um núcleo duro de 10 a 15 árbitros em forte ascensão, nos próximos anos os frutos serão colhidos.

Um dos pontos positivos, apesar de tardio, foi a obrigatoriedade de treinadores e dirigentes serem portadores de uma cédula ou cartão de identificação, sendo mais fácil o controlo de bancos de suplentes, onde para além dos próprios jogadores suplentes era normal ver toda uma assistência de pseudo-treinadores (de bancada ou de banco...) que em nada ajudam ao jogo. No banco só ficam 4 pessoas para além dos suplentes, esta é uma regra que tem que ser alargada urgentemente a TODOS os escalões - decisão aplaudida por vários treinadores de escalões de formação que durante a semana conduzem os treinos e ao fim-de-semana são confrontados com inúmeros treinadores (pais, dirigentes e afins), que não fazem ideia do trabalho desenvolvido nos treinos, a mandar "bitaites" para dentro do campo.

Foi alargado o número de árbitros em actividade no nosso país, surgiram nomes como Rohan Hoffman, Pedro Murinello, Paulo Gonçalves e outros nomes mais novos, muitos também também ligados à Escola de Jovens Árbitros (Bernardo Caupers, Afonso Nogueira - este não conheço! -, Pedro Queimado, Pedro Gagliardini, Paulo Duarte, etc).

A presença de árbitros auxiliares em quase todos os jogos da Divisão de Honra, o que possibilitou uma redução exponencial de agressões nestes jogo e assegurar que os jogos decorressem de uma forma bem mais calma. De realçar que nenhum destes fiscais-de-linha foi nomeado pela FPR.

Nomeação de João Mourinha para dois Torneios do Circuito Mundial de Sevens (George e Dubai), bem como para o Campeonato do Mundo sub XIX.
Nomeação de Arsénio Tomás para um jogo FIRA.
Participação de Pedro Murinello para o Torneio sub 17 de Milfield.
Participação de 5 árbitros no Estágio Fira sub17 (Afonso Nogueira, Bernardo Caupers, José Luís Vareta, Paulo Duarte e Pedro Ferreira)
Participação de Nuno Coelho e João Erse em França em vários jogos.
Nomeação de Rohan Hoffman para os Sevens de Amsterdam (Circuito Europeu)


Pontos negativos:

A inexistência de um sistema de avaliação e observação para os árbitros, impossibiltando a maior evolução de cada árbitro. Neste campo importa realçar a solidariedade da classe, muitos árbitros têm feito o esforço em ir ver os jogos uns dos outros e fazendo observação (embora pouco "profissional"). É urgente que a direcção FPR faça as pazes com muitos dos árbitros seniores e que crie condições para que os mais novos possam aprender com eles.

O não pagamento de deslocações aos árbitros impossibilitou a presença de juízes em inúmeros jogos fora de Lisboa

Constantes atrasos de decisões do Conselho Disciplinar o que pode tornar alguns comportamentos normais e sem punição.

Nomeação de vários árbitros franceses para jogos da Divisão de Honra, desprestigiando os nossos árbitros, sendo que estes apitam na 5ª Divisão Francesa.

A não nomeação de árbitros auxiliares por parte da FPR em nenhum jogo realizado em Portugal (incluindo final do campeonato e final da taça...), fazendo com que os próprios árbitros tivessem que andar à procura de fiscais.

O não pagamento a fiscais-de-linha nas finais de Júniores e Juvenis.

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12 Comments:

At 9:01 da tarde, Blogger maria said...

De realçar, as meninas que apareceram na arbitragem tambem, do Belas e da Agronomia!!!

 
At 9:48 da tarde, Blogger Afonso Nogueira said...

é verdade Maria!... contudo essas meninas estão incluídas na escola de jovens árbitros (no núcleo duro!!)

Maria Heitor
Sónia Martins
Lúcia
Filipa
Chica

Não me lembro de mais.
Bjs

 
At 10:10 da tarde, Blogger maria said...

rafaela do belas tambem

 
At 10:16 da tarde, Blogger Afonso Nogueira said...

desculpe sra árbitra

 
At 12:07 da manhã, Blogger duarte said...

Bom post, Rui Vasco.

O Mourinha também foi nomeado para um jogo do ENC (2ª divisão), o Alemanha - Bélgica, que era considerado um dos mais importantes dessa divisão.As 2 selecções têm pretensões a subir à 1ª divisão.

Ele, sendo português, não pode ser nomeado para jogos da 1ª divisão do ENC (não sei se isso está escrito, mas a prática é essa), pelo que aquela nomeação foi muito importante.

Um incentivo aos/àsjovens árbitros/as: continuem, força! Não se deixem desanimar se algum dia forem insultados/as ou ameaçados/as pelos hooligans que insistem em estragar o nosso râguebi.

Dois apelos:

1) segundo as regras dos escalões sub13, os jogos de cada escalão têm uma duração estabelecida, os/as árbitros/as devem fazer com que os jogos tenham essa duração;

2) o handoff não é permitido (qualquer handoff, não são só os handoffs à cara ou com a mão fechada que não são permitidos como já ouvi dizer num convívio sub13...); se querem que seja, muito bem, mas mudem as regras; enquanto não for, não podem permitir o handoff; eu sei que nestes escalões tem que haver muita tolerância com os avants, por exemplo; mas é muito complicado dizer aos míudos para não fazerem handoff e eles depois levarem com um handoff bem duro e não punido e continuarem a não fazer handoffs; assim os treinadores ficam sem saber muito bem o que dizer aos miúdos.

FORÇA JOVENS ÁRBITROS E ÁRBITRAS!

 
At 12:14 da manhã, Blogger duarte said...

Já escrevi isto aqui e no Zé do Melão, mas insisto.

Já que a FPR parece estar lentamente a acordar para algumas situações, peço que tenham isto em conta (depois não digam que só se fazem críticas destrutivas):

Do Plano Estratégigo da FPR:

«• Só poderão disputar as duas divisões séniores principais (Honra e 1ª Divisão) clubes com equipas juniores
• Só poderão disputar a divisão sénior de Honra clubes com equipas juniores e juvenis»

Seria bom que fosse desde já clarificado se, para os efeitos mencionados, as equipas de juniores e juvenis têm que ser equipas de râguebi de XV a disputar os respectivos campeonatos nacionais, ou se podem ser equipas de rugby de 8 que disputem os torneios oficiais dessa variante.

E que também se dissesse o que acontecerá se um clube tiver equipas desses escalões inscritas mas elas forem desclassificadas por faltas de comparência antes dos respectivos campeonatos terem terminado.

Com estes esclarecimentos, evitar-se-iam polémicas desnecessárias que prejudicam as relações entre os clubes e descridibilizam a FPR.

 
At 12:14 da manhã, Blogger Afonso Nogueira said...

Parabéns Rui Vasco pelo post que não escreveste lol!!

Eu é que escrevi o post!

Obrigado na mesma.

tinha este post escrito desde domingo, apenas me faltavam alguns dados e o dos jogos internacionais do Mourinha esra um deles.
Não é nada contra o Mourinha...

se todos os problemas da arbitragem fossem os handoffs!!

 
At 12:28 da manhã, Blogger duarte said...

Caro Afonso Nogueira,

Desculpa lá, não reparei na assinatura do post. Então, os parabéns são para ti.

Eu sei que não é nada contra o Mourinha. Nem me passou isso pela cabeça. Aprenas quiz acrescentar um dado mais.

Claro que há problemas na arbitragem muito maiores que os dos handoffs em jogos de sub13, mas nestes escalões os maiores problemas que eu tenho visto relacionam-se com a duração dos jogos e com... os handoffs.

Eu não sou treinador, mas sei que é complicado numa equipa ter todos os miúdos a acatarem não fazer handoffs menos um, "o Xico", e dizer-lhe "insistes em não cumprir as regras, não fazes o próximo jogo" e depois ver os que acatam as regras a levarem handoffs atrás de handoffs.

Eles depois perguntam "então, não disseste que era proibido fazer handoffs? se os outros fazem, por que é que nós não podemos fazer? afinal o Xico é que tinha razão!".

E o que é que um tipo lhes diz?

E,caramba,as regras para estes escalões são bem simples, lêem-se e assimilam-se em 5 minutos.

Um abraço,
Duarte

 
At 2:01 da tarde, Blogger Afonso Nogueira said...

Por isso é que eu digo que os jogo sub 13 devem ser arbitrados pelos treinadores dos respectivos escalões...

 
At 3:32 da tarde, Blogger Duarte said...

Acho que me expliquei mal, mas não consigo explicar melhor.

 
At 3:41 da tarde, Blogger Duarte said...

Só para acrescentar: não há jovens árbitros de 14/15 anos?

Os sub13 não serão os melhores escalões para eles fazerem as suas primeiras arbitragens?

Não penses que eu estou a criticar os árbitros, muito menos os jovens árbitros.

Estou é a chamar a atenção para um "problema" (nem vale a pena acrescentar que se todos os problemas fossem como este...) que tem a haver com isto: os miúdos têm que se habituar desde muito novos a cumprir as regras; se vêem que outros não cumprem e nada lhes acontece, eles vão pensar "cumprir as regras é para os tótós, eu não sou nenhum tótó, já percebi muito bem como é que isto funciona".

Os treinadores não devem arbitrar jogos nenhuns a não ser quando seja impossível ter jovens árbitros nos convívios.

 
At 5:40 da tarde, Blogger Afonso Nogueira said...

Segue o raciocínio:
Quem é que sabe o que é melhor no processo de formação dos jogadores? os árbitros ou os treinadores?

É difícil para um jovem árbitros deixar passar avants milimétricos etc... pois está a ser observado.

É apenas por isso que os treinadores não se devem recusar a arbitrar jogos dos seus escalões. Não sou fundamentalista, claro que é o melhor sitio para os jovens árbitros começarem.

Mal explicado! cumprimentos

 

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