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sábado, julho 29, 2006

All-Blacks silenciam Brisbane

O jogo esteve envolto em polémica durante toda a semana, principalmente por razões que nada têm a ver com a dimensão desportiva. Dessa polémica, à qual nos vamos referir da forma mais breve possível, houve eco em todo o mundo, incluindo em Portugal. O diário «A Bola» ocupa hoje grande parte do texto dedicado ao jogo abordando a controvérsia da nova versão do haka neozelandês, o chamado «Kapa o Pango».

A resposta All-Black a toda a polémica e jogo psicológico, que partiu do lado dos Wallabies, iniciou-se mesmo antes do jogo. Os jogadores de negro não abdicaram do Haka, mas em vez da nova versão tomaram a iniciativa de realizar a clássica, «Ka Mate». Um gesto de boa vontade e de pacificação, que não teve resposta à altura!

Sem motivos para se queixar, e calados perante a cortesia e educação neozelandesa, os australianos continuaram a provocação, e depois do Haka decidiram continuar o seu aquecimento, retardando o início da partida. Mais de 52.000 espectadores e o XV neozelandês observaram durante 4 ou 5 minutos a equipa «aussie» a realizar novos exercícios de preparação do jogo…

O jogo jogado

No que ao jogo jogado diz respeito, creio não errar se disser que teve 75 minutos de Rugby cautelosos, com variações entre o bom e o medíocre (muitas faltas no chão e muito antijogo), e 15 minutos de grande nível, com os Wallabies a tentarem tudo para virar o 9-13 com que terminou a partida.

O jogo foi interessante, sobretudo a luta entre os packs, que durante a semana estiveram no centro das atenções. Os homens da frente australianos começaram bem, mas um jogo tem 80 minutos e notou-se grande dificuldade em acompanhar o alto ritmo e a excelente preparação dos kiwis.

Os neozelandeses jogaram «quanto baste». Aproveitaram as oportunidades que tiveram, e nem as exibições infelizes de alguns dos seus elementos – como Byron Kelleher, por exemplo – impediram que os pontos se fossem somando. Poucos… com apenas um ensaio, pelo rapidíssimo Joe Rokocoko, logo aos 10 minutos.

Importa também ter em conta que uma equipa que conta com Daniel Carter e Richie McCaw, e que apresenta um pack coeso, rápido, solidário e destemido… Nada tem a temer. Os All-Blacks demonstraram, mais uma vez, que neste momento não tem equipa à sua altura!


Legenda: Richie McCaw, n.º7 e capitão dos All-Blacks

Interessante notar que, mais do que o tempo/percentagem de posse da bola, o que importa é a eficácia dessa mesma posse. Os neozelandeses são muito mais rápidos na concretização das suas intenções. Jogam de «olhos fechados», e em poucos segundos colocam o jogo onde e como querem. Esta conclusão, especialmente evidente durante a Tour dos Lions à Nova Zelândia em 2005, foi hoje novamente demonstrada.

Os australianos não foram inferiores. Aliás, dominaram longos períodos da partida, estiveram mais vezes em situação de pontuar… Mas alguns erros a escassos metros da linha de ensaio kiwi deitaram sempre a perder o esforço de um XV que deu tudo em campo. A linha defensiva neozelandesa esteve irrepreensível e conseguiu alguns turnovers em momentos cruciais.

O capitão Gregan reconheceu que, a este nível, não aproveitar as poucas oportunidades que aparecem pode fazer toda a diferença. Foi o que aconteceu.

Pela negativa na turma de John Connolly estiveram Lote Tukiri e Matt Giteau, dois homens muito perigosos que pareceram estar arredados do jogo. Não fizeram a diferença, nem estiveram em evidência, como se esperava.

Os All-Blacks conquistam a terceira vitória no Trinations e a segunda sobre a Austrália, o que lhes garante desde já a Bledisloe Cup, competição entre as duas nações rivais, que se realiza desde 1932. No contexto desta disputa privada entre os kiwis e aussies, o saldo entre vitórias, derrotas e empates passa para:

Austrália – 30 vitórias
Nova Zelândia – 69 vitórias
Empates - 4

Ficha do jogo:

Estádio de Suncorp, Brisbane (Austrália)
Assistência: 52,498 espectadores
Torneio das Três Nações (3ª Jornada) – 29/07/2006
2º jogo da Bledisloe Cup
Árbitro: Alain Rolland (Irelanda)

Nova Zelândia, 13
Joe Rokocoko – 5
Daniel Carter – 2+3+3

Austrália, 9
Stirling Mortlock – 3+3+3

2 Comments:

At 10:44 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Gostava de comentar este post, pois acho que o jogo que vi nao corresponde a analise aqui descrita, mas claro esta e a minha opiniao, e a ideia e mesmo trocar opinioes. Abaixo seguem algumas citacoes do artigo e comentarios:
- Os neozelandeses jogaram «quanto baste». - A meu ver nao foi o quanto baste mas suaram e esforcaram-se bastante para sairem vitoriosos, especialmente a defender dentro dos seus 22, tiveram que ir muito alem do qb
- O Pack Nada tem a temer - Quem viu o jogo sabe bem que tem a temer, especialmente nos alinhamentos e no N8
- Os All-Blacks demonstraram, mais uma vez, que neste momento não tem equipa à sua altura! - Antes pelo contrario, ficou bem evidente que nao sao imbativeis, a Australia esta cada vez melhor e mais perto, e a Franca num dia bom e uma seria candidata
- Jogam de «olhos fechados», e em poucos segundos colocam o jogo onde e como querem. Esta conclusão, especialmente evidente durante a Tour dos Lions à Nova Zelândia em 2005, foi hoje novamente demonstrada. - Mais uma vez os AB tiveram foi mas e que ter o olhos bem abertos, e mesmo assim nao fosse o bravo do capitao a liderar por exemplo e o resultado tinha sido outro. Quanto ao Tour dos Lions, e nao tirando merito aos AB, foi o completo descalabro dos Europeus e seu corpo tecnico (aliado as lesoes, incluindo a infligida ao Capitao) que facilitou, os AB nao produziram nada de extraordinario nesse Tour.
- Pela negativa na turma de John Connolly estiveram Lote Tukiri e Matt Giteau, dois homens muito perigosos que pareceram estar arredados do jogo. Não fizeram a diferença, nem estiveram em evidência, como se esperava. - ??? Tuqiri arredado do jogo???? Porque entao o descontentamento dos Australianos com a sua substituicao e a surpresa dos comentadores? Porque ele estava a ser bom e importante, se fosse o George Smith ainda dava para perceber....

 
At 2:34 da tarde, Blogger Rui Silva said...

Respeito a opinião, mas reafirmo:

- Os AB jogaram q.b. Não quero dizer que não correram, e que não se esforçaram. Mas mesmo fazendo um jogo fraco, não deram hipóteses aos australianos.

- É certo que os Wallabies estivera, em cima dos AB, que tiveram algum azar e que poderiam ter até vencido. Mas parece-me que, no jogo jogado, mostraram dificuldade em encontrar soluções viáveis.

- A NZ não tem adversário à altura. É claro que não são imbatíveis, mas apenas uma grande equipa num grande dia os poderá bater. Nos últimos anos terão perdido um ou dois jogos... Não têm paralelo, actualmente.

- Os AB jogam de olhos fechados, pois aproveitam em segundos o que outras equipas demoram minutos e muitas fases a conquistar. A IRB publicou no seu site uma interessante análise estatística sobre a digressão dos Lions que explica muito bem esta situação. Creio que neste jogo, mal comparado, há situações em que as tais conclusões se aplicam!

- O pack não tem nada a temer, pois é o mais forte da actualidade. Neste jogo teve dificuldades, claro. Nos alinhamentos esteve particularmente ineficaz, mas nos rucks dominou, virando o jogo nos momentos decisivos. Os Wallabies simplesmente não aguentaram 80 minutos de intenso jogo físico. Os AB sim. Interessante notar que, a 15 minutos do fim, os australianos trocaram TODA a 1ª linha.

- O Tukiri é um dos maiores 3/4 do mundo. Neste jogo esteve ausente, até porque não foi servido em condições. O Matt Giteau... esteve lá?????

Apareça sempre!
Abraço!
Rui Vasco

 

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