:: Belenenses XV ::

domingo, abril 29, 2007

Cabral Ferreira reeleito

As eleições terminaram. Está eleita uma nova direcção no Belenenses. Novo programa, novo fôlego, nova equipa. Em boa verdade todos aqueles que acompanham a vida do Belenenses devem estar felizes pelo fim da guerra eleitoral, que não raras vezes subiu de tom e ultrapassou as marcas do bom senso e deixou de ter em mente o superior interesse do Clube. O resultado foi aquele que os sócios quiseram, e Cabral Ferreira será de novo presidente do CFB por mais dois anos.



Importa agora perceber quais as reais intenções do presidente do clube relativamente a cada uma das áreas, e em particular no que diz respeito ao seu projecto desportivo. Dentro deste, estou particularmente curioso em relação ao Rugby e à visão que a nova direcção tem relativamente ao seu papel dentro do Clube.

Qual a postura da Direcção relativamente...

a) à crescente semi-profissionalização de atletas nesta modalidade;

b) à necessidade de ser encontrada uma solução duradoura (ou mesmo definitiva) no que diz respeito aos espaços (relvado) a atribuir à secção de Rugby;

c) à necessidade de maiores apoios relativamente às escolas de Rugby, por forma a suportar um crescimento superior aos 25% verificados em 2006/2007, condições fundamental para o aumento da quantidade e qualidade dos jogadores de Rugby no Belenenses;

d) à divulgação do Rugby no contexto interno do Clube.

Outras questões existem, como é óbvio... Mas eu gostaria de ver estas esclarecidas. É que depois da poeira eleitoral assentar vão-se os anéis (as promessas) e ficam os dedos (os meios reais). E é nessas condições que se vê quem é que realmente tem dedos para tocar esta guitarra chamada Clube de Futebol «Os Belenenses».

À nova Direcção e ao Presidente eleito os meus parabéns e o desejo de que tenham muito sucesso, uma vez que o sucesso dos corpos gerentes será sempre o sucesso do nosso clube.

Resultados oficiais das Eleições 2007:

Lista A - 7 103 votos (62.5%)
Lista B - 1 003 votos (8.8%)
Lista C - 3 079 votos (27.1%)
Nulos - 94
Brancos - 83

Total de votantes: 2 130 votantes
Total de votos: 11 362 votos

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segunda-feira, abril 23, 2007

A falta de moral de alguns associados...

Leio na internet coisas que me deixam profundamente triste e até pasmado. Coisas que revelam enorme desconhecimento do fenómeno desportivo em geral, e da realidade concreta e actual (que é muito maior do que aquela que encontramos nos livros) do Belenenses.

Leio por exemplo que os resultados da equipa senior de Rugby do Belenenses são, este ano, para esquecer. E leio ainda o seguinte (passo a citar): «Porque neste clube alguém, um dia, terá que incutir a mentalidade que quando não se ganham títulos é porque ficou em "ÚLTIMO LUGAR"!».

De facto, não é nada assim.

Nenhum clube deste mundo poderá nunca encarar a derrota desta forma. A afirmação ganha contornos ainda mais ridículos quando se refere a um emblema que ao longo da sua história não ganhou «ano sim, ano sim» títulos em todas as modalidades ao nível senior.

Apesar de não ser um clube de enormíssimo palmarés senior, o Belenenses sempre teve nas suas modalidades uma fonte de prestígio. Pela qualidade dos seus atletas, pela qualidade da sua formação, pela presença assídua nos grandes palcos nacionais e até internacionais. Nunca a derrota foi encarada no Belenenses como um drama, e pelo contrário há resultados que não se traduzindo em títulos comportam mérito desportivo assinalável, que não deve ser desvalorizado através de uma visão tão estreita dos resultados.

Vejamos o exemplo do Rugby:

Em 80 anos de história (50 de campeonatos nacionais, mais coisa menos coisa), o Belenenses conquistou 5 títulos nacionais seniores. Apesar disso, o seu contributo para a modalidade, a qualidade das suas equipas e da formação de jogadores, o facto de andar permanentemente na luta pelos lugares cimeiros das competições em que se encontra envolvido, valeram-lhe o respeito de todos os adversários.

Em 2006/2007, os resultados desportivos foram de facto maus. A temporada ainda não acabou, é certo... Mas aconteça o que acontecer, esta será sempre recordada como uma época muito abaixo das expectativas e das reais potencialidades da equipa. As razões para este insucesso são diversas, e nem importa agora analisá-las.

Acontece que, à luz da leitura estreita que alguns associados (pelos vistos) fazem, ser 2º (como fomos, com brilhantismo, em 2005/2006) ou ser 6º (como somos actualmente) é... a mesmíssima coisa. Um género de «último lugar», que se coloca como um estigma sobre as cabeças e a futura memória dos nossos atletas, técnicos e dirigentes.

Acrescenta o mesmo consócio, que «anonimamente assina a sua opinião», que o orçamento conjunto destas modalidades (aquelas a que se refere: Andebol, Basquetebol, Rugby e Futsal) justifica outro tipo de brilhantismo. Interessante observação. Acontece que, por si só, o orçamento das diferentes modalidades citadas não ganha campeonatos... Muito menos quando o comparamos com os orçamentos dos diferentes adversários do Belenenses nas modalidades aqui apontadas.

Terá o Belenenses o maior orçamento nacional no Andebol? No Basquetebol? No Futsal? No Rugby? A resposta é obviamente que não!

Colocar sobre as modalidades a constante obrigação de ganhar títulos é não apenas injusto: é absurdo! Tal como seria absurdo, injusto e inaceitável impôr os mesmos critérios de sucesso à equipa profissional de Futebol.

Termino referindo apenas que me espanta que se façam avaliações acerca dos resultados desportivos de equipas que não se conhece, em modalidades acerca das quais se ignora o actual quadro competitivo. Que moral têm os muitos associados do Belenenses para apontar o dedo à sua digna equipa de Rugby quando poucos ou (quase) nenhuns a acompanham e conhecem verdadeiramente?

Eu, simples associado com o n.º3887, digo com clareza: NENHUMA.

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quarta-feira, abril 11, 2007

Eleições II: quando a mesquinhez se sobrepõe ao interesse de todos

O n.º41 do Jornal do Belenenses, colocado ao dispor dos sócios e adeptos do Belenenses há cerca de semana e meia, foi retirado de circulação por sugestão do presidente da AG, depois de uma das listas concorrentes às eleições de 28 de Abril – a Lista B, de José Duarte Ferreira – se ter queixado de uma suposta falta de isenção do referido meio de divulgação do clube.

Como colaborador do Jornal sinto-me muitíssimo revoltado, por razões diversas. Restringindo-me ao que se relaciona com o Rugby direi apenas que o n.º41 foi especialmente pensado para dar destaque ao Rugby azul, contendo:

- Um poster central da equipa Juvenil;
- Uma entrevista com o coordenador da secção, Manuel Costa;
- Notícias sobre as finais de juvenis e juniores, o jogo com o Técnico dos seniores e uma breve caixa relativa à digressão das escolas a Edimburgo.

Mais: o jornal – suportado pelos patrocinadores – contava com um anúncio de página inteira da LUSOCEDE (patrocinador «da camisola» da equipa sénior).

A retirada do jornal de circulação foi uma atitude de verdadeiro gozo relativo ao trabalho dos vários colaboradores 100% voluntários do jornal, e um acto de profundo desrespeito pelo dinheiro investido pelos patrocinadores nesta edição.

Começa mal José Duarte Ferreira esta campanha eleitoral.

O jornal não contém nas suas 24 páginas mais do que uma frase que pode ser lida (por alguns) no contexto da campanha em curso. Repito: uma frase em 24 páginas.

Quem perde com estas tácticas eleitoralistas da Lista B são os sócios e os atletas, em particular os do Rugby, que tantas vezes são esquecidos, mas que tinham nesta edição especial (e merecido) destaque.

A mesquinhez de uns sobrepôs-se ao interesse de todos os outros.

Nota:

A duas semanas das eleições pouco (ou nada!) foi revelado acerca das intenções das três listas concorrentes relativamente ao Rugby e às ditas «modalidades» em geral. Espera-se que o debate avance rapidamente no sentido de elucidar os associados acerca desta matéria, sob pena da afluência às urnas ser ainda mais baixa do que aquela verificada nos últimos actos eleitorais.

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quinta-feira, abril 05, 2007

Eleições I: E as «modalidades», senhores?

O tema «modalidades» (as quais nunca incluem o futebol, como se esta modalidade desportiva não fosse isso mesmo, uma modalidade) é um dos grandes «tabus» do momento eleitoral Belenense. Os candidatos tendem a fugir dele como «o diabo à Cruz».

A razão para esta dificuldade em lidar com o tema reside na ideia (errada) de que um candidato com ideias para modalidades com o Andebol, o Rugby ou o Triatlo é incompetente em matéria de futebol. Mais: há mesmo quem pense que apenas um candidato que não eleja as «modalidades» como o seu alvo (a abater) preferido... não serve.

Este é o tempo dos chavões 1000 vezes repetidos: a autonomia das secções (com a qual estou parcialmente de acordo), os estudos e as avaliações de resultados, o hipotético consumo exagerado de verbas por parte de algumas secções (o qual até existe, na minha opinião!)...

O problema é que raramente os candidatos saem dos chavões, protegendo-se da fama de «adeptos das modalidades», por oposição ao trunfo eleitoral que é serem «homens do futebol».

Como sócio do Belenenses, sinto-me desiludido com a ausência deste tema no debate eleitoral. Desiludido mas não surpreendido, tal o grau de idolatria a que chega o tal estatuto de «homem do futebol».

Pessoalmente, jamais votarei num «homem do futebol» para a presidência do clube de que sou sócio há 29 anos. O meu voto irá sempre para o candidato que tiver o perfil mais próximo de pessoa do desporto e de verdadeiro belenense (no sentido em que eu percebo essa magnífica condição de ser belenense). E é dentro deste perfil de homem do desporto que valorizo uma especial (e especializada) sensibilidade para os assuntos da modalidade n.º1 do Belém, que é naturalmente o futebol.

No que às «modalidades» diz respeito, lamento que não sejam abordados (muito provavelmente nem sequer são conhecidos...) os problemas do Rugby, com destaque para a questão da falta de campo. Não perceberão os candidatos à presidência do clube que a resolução deste problema pode simultaneamente facilitar a gestão dos relvados do complexo, entregando-os em exclusivo ao futebol?



A um mês das eleições é com desilusão que assisto a uma campanha marcada pelo discurso negativo, com ausência de propostas concretas e concretizáveis no período de um mandato...

Se vou votar ou não é coisa para decidir mais lá para a frente... mas a vontade não é muita.

Nota 1:

É justíssimo reconhecer o trabalho realizado por esta direcção, que cessa funções, na reaproximação entre o Belenenses e o Rugby do Belenenses. Merece especial e honrosa menção o vice-presidente Miguel Barreiros, um apaixonado pelo Rugby (e muito mais ainda pelo Belém), que desenvolveu um trabalho notável (e muitas vezes injustamente incompreendido) que muitos frutos poderá dar no futuro.

Que as críticas do texto aos actuais 3 candidatos não apaguem o trabalho realizado nos últimos dois anos, sob pena de estarmos a cometer um enorme erro de avaliação.

Nota 2:

A expressão «homem da bola» aparece aqui no sentido de dirigente carreirista, sem experiência de jogo mas com muitas horas de gabinete... Homens da bola, com H grande, são aqueles que deram muito ao jogo jogado, e dos quais temos excelentes exemplos no Belenenses.

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