:: Belenenses XV ::: Julho 2006

segunda-feira, julho 31, 2006

Perspectivas para 2006/07 - os «médios»

Os médios são jogadores muito especiais nas equipas de Rugby. Eles são o elo de ligação entre o poderoso pack e os habilidosos defesas, e no fundo acabam por funcionar como distribuidores de jogo. Eles usam a camisola n.º9 (médio-formação) e n.º10 (médio-abertura), e o seu trabalho é, regral geral, muito coordenado, por forma a realizar com eficácia as tarefas quer defensivas, quer ofensivas.

São jogadores que estão sempre no centro do jogo, ora quando a equipa ataca (são importantíssimos na distribuição do jogo, na libertação da bola nos rucks, na abertura de espaços para a linha de «três-quartos»), ora quando a equipa defende.

Apesar de funcionarem coordenadamente, os médios têm características diferentes, e o seu trabalho é mais complementar do que semelhante.

O médio formação é normalmente um jogador de baixa estatura – ou não tão possante como os seus colegas do pack – e muito «desenrascado». Ele tem de tornar possível o impossível, coordenando o trabalho dos avançados nos rucks e decidindo o rumo a dar à bola, quando a sua equipa está na sua posse. Da cabeça dos «formação» sai grande parte do jogo ofensivo das equipas, e muitas vezes é na sua capacidade de tomar decisões rápidas e adequadas que se ganham os jogos.


Legenda: Pedro Netto, durante a final da Taça de Portugal 2004/2005, entre o Belenenses e o Direito (Estádio Nacional)

O Belenenses conta actualmente com quatro médios-formação: o veterano Pedro Netto (que este ano, segundo se diz, será também adjunto de Francisco Borges no banco azul), Bruno Nifo (que foi a opção mais usada em 2005/2006), Carlos Gaspar (recém promovido dos juniores) e, em alguns casos, Pedro Silveira (que fez alguns jogos como «formação», incluindo na excelente vitória sobre o Direito em Monsanto, em Dezembro de 2005).

As opções são boas, mas a época é longa e veremos como os quatro jogadores referidos aguentarão a pressão das 14 jornadas do campeonato e as eliminatórias da Taça... Especial destaque para Carlos Gaspar – irmão do «arrier» Vasco Gaspar, transferido o ano passado para a Tapada – que alinhou já pelos seniores na fase final de 2005/2006, e que deu boas indicações, a todos os níveis. Destaque ainda e naturalmente para Bruno Nifo, que fez uma boa temporada, e que será com grande probabilidade uma primeira opção da equipa técnica, nos jogos mais importantes.

Pelo menos tão decisivo como o «formação» é o «abertura», verdadeiro pensador do jogo da sua equipa.

Na posição de «médio-abertura», o Belenenses conheceu este Verão um episódio caricato. O jovem internacional Pedro Silva, formado nas escolas do clube e a opção mais evidente para a camisola 10 azul, transferiu-se para o Cascais, equipa recém promovida à Divisão maior do rugby luso (pese embora o seu invejável historial). As razões são já conhecidas, mas não são para aqui chamadas. Ao Pedro deesejo muito boa sorte, excepto quando jogar com o Belém.

Sobram, para a posição de «abertura», o ainda junior Diogo Miranda (que tem dado excelentes indicações, tanto no jogo ao pé como na tomada de decisão e jogo à mão), o polivalente João Mirra (que alinha em qualquer posição da defesa), o já referido Pedro Silveira (que é formação), o «arrier» adaptado Francisco Moreira...

Uma coisa é certa: não valerá a pena «chorar» a saída de Pedro Silva, e só fazem falta os que cá estão! Temos talentos, alguns bem jovens, e temos homens para a camisola 10. Saibamos aproveitar as suas qualidades. Pessoalmente, colocaria Francisco Moreira como primeira opção como «abertura» e João Mirra como «arrier». Em alternativa, Diogo Miranda poderá ser lançado às feras seniores, até porque João Mirra deverá passar muito tempo no estrangeiro (ele será aposta para o circuito de Sevens da IRB em 2007...), com Francisco Moreira a alinhar com a camisola 15.

Em todo o caso, o problema mais grave que a saída de Pedro Silva origina na equipa azul diz respeito à função de chutador. Francisco Moreira é um chutador irregular, e o Pedro Silva assumiu não raras vezes essa tarefa. O Belenenses terá de encontrar uma solução eficaz para as penalidades (que o seu pack com toda a certezaa vai ganhar!) e para as conversões dos muitos ensaios que irão surgir. Um chutador de alta precisão precisa-se!

Perspectivas para 2006/07 - a 3ª Linha

A terceira linha do pack avançado é composta por dois flanqueadores e um elemento central, o único jogador cuja posição não tem «nome técnico»: o n.º8.

Os dois flaqueadores cumprem funções diferentes: o n.º6 é o chamado flanqueador do lado fechado, enquanto que o n.º7 é o flanqueador do lado aberto. Esta diferença encontra explicação no posicionamento que cada um ocupa na formação ordenada. O n.º6 ficará sempre do lado da formação mais próximo da linha lateral. Ele defenderá o lado mais fechado (porque com menos espaço disponível) do campo. O n.º7 encontra-se sempre do lado com mais espaço, ou seja, aquele que está mais afastado da linha lateral (ver imagem).


Créditos: Página da BBC

Os flanqueadores são, regra geral, jogadores completos. Como membros do pack avançado, eles concentram grande parte da sua atenção em tarefas associados à luta pela posse da bola e nas fases estáticas do jogo. Por outro lado, e em especial o n.º7, são jogadores que participam activamente no ataque e que são muito activos no apoio aos companheiros que avançam em direcção à linha defensiva adversária.

Costumam ser placadores destemidos e, para tal, devem possuir compleição física adequada e sobretudo muita técnica.

Na próxima temporada o Belenenses terá ao seu dispôr bons flanqueadores, e se João Uva regressar após a sua grave lesão - cuja recuperação tem sido penosa e prolongada - a 3ª linha azul voltará à sua máxima força. João Uva é provavelmente o melhor n.º7 do Rugby nacional da actualidade. Se regressa ou não aos relvados é coisa para confirmar em Setembro. Pelo minha parte tenho esperança que sim. O João Uva foi uma peça fundamental no pack azul até ao momento da lesão, e com ele dificilmente o Belenenses teria perdido a Divisão de Honra. A sua voz de comando foi essencial ao XV belenense, e o regresso na próxima temporada seria o melhor reforço possível para o conjunto azul.


Legenda: João Uva

É certo que David Penalva (que também alinhou na 2ª linha, sobretudo na selecção) regressou a França, mas as restantes soluções «da casa» são muitas e fortes: Sebastião Cunha, Valter Jorge, Gonçalo Lucena e Francisco Nogueira são quatro hipóteses credíveis. Mais um jogador - quem sabe oriundo dos juniores - poderia dar maior consistência ao sector.

A posição n.º8 (por alguns chamada «terceira linha centro») ficou enfraquecida com o regresso de Manuel Castagnet (o melhor dos três argentinos vindos dee Buenos Aires em 2005/2006) ao seu clube de origem. Valter Jorge poderá sem dúvida ocupá-la, e assegurar a tarefa com eficácia. Trata-se de um jogador muito forte, que gosta de ter a bola nas mãos e atacar as defesas contrárias. Tem iniciativa!

Na minha opinião, o Belenenses deveria procurar ter no n.º8 um jogador com capacidade de passe, para (sempre que possível) libertar o médio-formação e transformá-lo em mais um elemento da linha de «três-quartos». Algumas equipas de topo do Rugby mundial utilizam muito esta solução (Rodney So'oialo, nos All-Blacks, assegura muitas vezes a extracção da oval de dentro da mêlée), e creio ser uma ideia interessante, pouco usada entre nós.

No que se refere ainda a saídas, registe-se o abandono dos relvados do histórico e por todos muito querido António Cunha «Balula», que com quase 40 anos de idade e cerca de 30 anos como jogador do Belenenses deixará muita saudade.

Torneio das «N» Nações...

Numa das cartas ao editor da edição de Agosto da prestigiada revista «RUGBY WORLD», já à vendas nas nossas bancas, um leitor questiona-se acerca do porquê de não se alargar novamente o velhinho Torneio das V Nações (agora, VI Nações, após a inclusão da Itália) às equipas da Roménia e da Geórgia. Diz o referido leitor que a ideia lhe ocorreu depois de ter assistido a um resumo do recente jogo entre a equipa georgiana e os Barbarians, durante uma das edições do magazine televisivo Total Rugby, da IRB.

Parece-me que a ideia subjacente à carta deste leitor é correcta, e vai até de encontro ao editorial da mesma revista, que questiona o porquê da recusa de equipas como a Inglaterra em realizar jogos contra equipas de segundo plano, como Tonga, Samoa ou Fiji.

É óbvio que o leitor responsável pela proposta vai muito mais longe: alargar o VI Nations para VIII Nations tem consequências desportivas, financeiras e comerciais importantes, que tornam a ideia... impossível! Os moldes em que a prova é disputada, com jornadas sucessivas que «prendem» os jogadores às selecções durante mais de um mês (em 2007, o VI Nations começa a 3 de Fevereiro e termina a 17 de Março), o nível de competitividade requerido para os jogos, os prejuízos causados pelo torneio aos clubes, a(s) estrutura(s) subjacentes à prova... Tudo isto torna impraticável um hipotético VIII Nations.

Do ponto de vista comercial, e apenas para que se tenha consciência do prejuízo que represneta para uma grande federação receber um adversário menor, dou apenas um exemplo: em Novembro de 2005, a IRFU (Federação Irelandesa) obrigou os adeptos a adquirir ingresso para o particular com a Roménia (26/11/2005, 43-12) em simultâneo com o bilhete para os jogos contra os Wallabies e os All-Blacks, disputados no mesmo mês, também em Dublin. Sem esse pré-requisito, ninguém teria acesso aos jogos «grandes» do Outono. E o jogo contra a Roménia não teria tido a «meia-casa» registada...


Créditos: Site oficial da Federação Romena

Sejamos claros: o público quer ver jogos competitivos. E até a selecção inglesa enfrentou estádios meio despidos de gente nesta sua Tour à terra dos cangurus. Os «aussies» perceberam que a sua equipa não teria grande dificuldade em dominar os actuais campeões do mundo, e com o Trinations à porta preferiram poupar tempo e dinheiro para os testes «a doer» de 2006.

Depois hás várias outras razões de peso. Dois exemplos simbólicos:

1. Um mês de VI Nações representa várias jornadas de competições nacionais e internacionais perdidas por jogadores, nos seus clubes. Imaginem o Toulouse a dispensar jogadores para três ou quatro selecções diferentes durante dois meses, num hipotético VIII Nações...

2. A tradição conta muita para as chamadas «home nations». A entrada da Itália gerou resistências, e o interesse argentino em ingressar na prova do hemisfério norte - já que no Trinations mais ninguém entra! - já está, por si só, a gerar polémica q.b.

Roménia e Geórgia estarão muito longe de ter o privilégio de ingressar no restrito clube das nações Rugby europeias.

O que também me deu que pensar foi o facto do tal leitor não se ter referido a Portugal. Todavia, no mesmo número, um outro leitor referia o nosso país e criticava o formato de apuramento de equipas para o Campeonato do Mundo.

Em suma, o hemisfério norte (com a excepção da França, que para além de ser a 2ª equipa actual no mundo foi campeã sub-21...) começa a perceber que é preciso aumentar a competitividade deste lado do mundo. As federações poderosas estão fechadas à mudança, mas os adeptos do Rugby gostariam de ver provas envolvendo mais países, eventualmente com formatos mais próximos dos campeonatos da Europa de outras modalidades.

É certo que um possível Europeu de Rugby, com digamos 12 equipas, teria jogos muito dequilibrados, ao jeito das provas de hoquei-em-patins. Mas no fundo essa é uma das formas de fazer progredir a modalidade e de lhe dar uma dimensão europeia, fora do circuito fechado das ilhas, França e Itália.

Esta conversa é toda muito bonita... Mas o assunto é complicado, envolvendo mudanças estruturais nas entidades que tutelam o Rugby ao nível europeu. Talvez abordemos o assunto num outro dia... Para já fica a boa notícia: mesmo aqueles que têm Rugby de alto nível «à porta de casa», começam a olhar para as nações da 2ª divisão europeia e a perguntar, «porque não puxar por elas e dar-lhes condições para evoluir?».

Por outro lado, o simples facto da nossa equipa nacional andar a competir, de forma regular, com equipas de nível superior (Roménia, no Torneio Europeu das Nações, Argentina A e Itália A, no IRB Nations CUP, ou Fiji, num particular de grande espectacularidade) é de salientar e valorizar.

De pouco serviria, neste momento, um Torneio das VIII ou das IX Nações. Um passo de cada vez. Em especial no capítulo da formação. E Portugal, tal como a Roménia ou a Geórgia (este dois últimos países disputaram este verão provas de nível mundial da IRB, em escalões de formação), estarão em alguns anos ao nível da Itália, exigindo igualdade de tratamento.

domingo, julho 30, 2006

Evolução das Leis de Jogo

1823 - William Webb Ellis (no Colégio de Rugby)

1851 - 1ª Bola (de tripa de porco) Gilbert

1892 - 1ª Bola (em Cautchouck) Lindon

1886 - Constituição da Internacional Board com o intuito de obter um código de conduta comum

1889 - Código de Leis

1899 -
1906 -
1911 - Alterações regulares mas apenas
1921 - aceites em jogos internacionais
1926 -
1929 -

1930 - Leis do Jogo de Rugby - IB - para todos os jogos

1958 - Alterações em 20 Leis sem o acordo de todos os países, com o objectivo de tornar o jogo mais agradável:
- Encorajar tácticas de jogo aberto
- Deter todas as formas de obstrução
- Reduzir as placagens
- Dar vantagem à equipa que deseja atacar

1964 - Revisão Global - para tornar as Leis mais claras, consistentes e simples

1970 - Nova reedição de todas as Leis

1970 a 1980 - Elevado numero de lesões graves e a pressão dos Media provocam a realização de grandes alterações às Leis com os seguintes objectivos:

Melhorar o espectáculo:
- Restringir o pontapé para fora
- Modo de jogar a bola após placagem
- Lei de fora de jogo dos 10 metros
- Extensão da Lei da vantagem
- Introdução de uma penalidade diferenciada através do pontapé livre

Segurança (reduzir o anti-jogo e o jogo violento):
- Definição de placagem
- Permanecer deitado no solo, com ou perto da bola
- Passar a bola estando deitado no solo
- Proibição do desmoronamento da F.O.
- Jogo ilegal / mau comportamento
- Calçado e pitons
- Substituição de jogadores magoados
- Autorização aos juízes de linha para sinalizar o jogo perigoso
- Substituições temporárias

1980 a 1994 - Alterações às leis de jogo visando fundamentalmente:

A – Maior segurança no jogo:
- Placagem no ar, etc
- Assistência a jogadores lesionados sem interrupção do jogo
- Substituições temporárias
- Amostragem de cartões

B – Melhorar a qualidade do jogo:
- Pontapés de Penalidade jogados imediatamente
- Reposições rápidas
(Objectivo – Aumento do ritmo e do tempo útil de jogo, através de sequencias de jogo mais complexas)

C – Melhor controlo do jogo pelo árbitro

Belenenses domina na areia

O Belenenses venceu este fim-de-semana o X Internacional Beach Rugby Cup, realizado em Oeiras, na Praia de Santo Amaro. Os azuis bateram na final a equipa da casa, o Oeiras, por 7-1. Com esta vitória, o Belenenses demonstrou-se, uma vez mais, a equipa mais forte na vertente de praia do Rugby.


Créditos: Site Oficial da FPR (arquivo)

O Rugby de praia surgiu como mais uma variante do clássico Rugby de XV, disputada sobretudo durante os meses de Verão, quando os campeonatos nacionais estão parados e os jogadores em período de descanso de intensos meses de competição.

No Rugby de praia as equipas procuram marcar ensaios, que valem 1 ponto. O campo não tem os tradicionais postes, e por isso nenhuma equipa pode pontuar através de remates. Trata-se pois de uma vertente muito física, com equipas de cinco elementos. Cada parte do jogo tem 5 minutos, com um curto intervalo de 1 minuto. A final tem a duração de 12 minutos (6+6), com 2 minutos de intervalo.

Na prova de Oeiras, o Belenenses chegou com facilidade à fase final, batendo nas «meias» a Académica (6-2) e na final a equipa do Oeiras, por 7-1.

O Belenenses mantém assim a tradição de dominar nos areais.

Fonte: Site Oficial do Belenenses

sábado, julho 29, 2006

Rugby em Portugal (Desenvolvimento)

Com 9 clubes filiados, a FPR organiza o primeiro Campeonato de Portugal (1958/59), de que saiu vencedor o Clube de Futebol “Os Belenenses”.

Durante as décadas de 60 e 70 verifica-se o crescimento dos clubes universitários e à implantação do Rugby na zona norte e região sul.

Constata-se também o domínio do CDUL na conquista de títulos e a importância dos estádios universitários de Lisboa, Coimbra e Porto como centros de apoio a treino e competição. A par destes factores reveste-se de grande importância e fomento da modalidade em Portugal o início da transmissão televisiva de alguns jogos do Torneio das V Nações, com cobertura regular a partir de 1969.

No entanto este crescimento coincide com um momento de abandono dos contactos internacionais no escalão sénior de 1974 a 1979.

O crescimento do número de praticantes mais jovens, aliado aos contactos regulares das Selecções Nacionais de jovens com países mais evoluídos, permitiu o aparecimento de gerações de jovens jogadores que, durante as décadas de 80/90, contribuíram para a melhoria do Rugby Português, bem expressa nos resultados e prestigio internacional das nossas selecções. Tal melhoria veio a ser comprovada após o regresso às competições internacionais no escalão sénior.

Rugby em Portugal (Consolidação)

Depois da criação da A. R. Lisboa, surge também a Associação do Porto e é disputado o primeiro campeonato em 1929/30.

Em 1934/35 realiza-se o primeiro campeonato escolar.

1935 e 1936 são as datas dos primeiros dois jogos internacionais, ambos ganhos por Espanha. Seguem-se 18 nos sem competições internacionais, até 1954.

Nesta fase é fundamental a difusão do Rugby entre os universitários que se acentua na década de 50 com a criação do CDUL e a expansão a Coimbra e Porto.

Em 23 de Setembro 1957 é formada a Federação Portuguesa de Rugby.

Rugby em Portugal (Introdução)

Data de 1903 o primeiro momento de que existe prova documental da realização de um jogo entre oficiais duma esquadra inglesa e o Lisbon Football Club, na Cruz Quebrada.

Repetem-se estes encontros mas apenas entre equipas exclusivamente constituídas por britânicos.

Há notícias de que o Rugby foi efemeramente introduzido em 1919 os alunos da Casa Pia, que lhe chamaram o Jogo da Azeitona.

Em 1922 o Royal Football Club decidiu lançar o Rugby sob proposta de alguns membros franceses.

O primeiro encontro com participantes portugueses deu-se a 22 Março de 1922, jogo entre o Royal Football Club e os britânicos do Exiles. Ainda em Novembro do mesmo ano disputa-se o primeiro jogo entre equipas portuguesas – Sporting Club de Portugal e Royal FC.

A 24 de Janeiro de 197 é formada a Associação de Rugby de Lisboa. Foram seus fundadores o Sporting CP, Sport Lisboa e Benfica, Ginásio Clube Português e Carcavelinhos Football Club.

O Sporting CP vence o primeiro campeonato de Lisboa.

All-Blacks silenciam Brisbane

O jogo esteve envolto em polémica durante toda a semana, principalmente por razões que nada têm a ver com a dimensão desportiva. Dessa polémica, à qual nos vamos referir da forma mais breve possível, houve eco em todo o mundo, incluindo em Portugal. O diário «A Bola» ocupa hoje grande parte do texto dedicado ao jogo abordando a controvérsia da nova versão do haka neozelandês, o chamado «Kapa o Pango».

A resposta All-Black a toda a polémica e jogo psicológico, que partiu do lado dos Wallabies, iniciou-se mesmo antes do jogo. Os jogadores de negro não abdicaram do Haka, mas em vez da nova versão tomaram a iniciativa de realizar a clássica, «Ka Mate». Um gesto de boa vontade e de pacificação, que não teve resposta à altura!

Sem motivos para se queixar, e calados perante a cortesia e educação neozelandesa, os australianos continuaram a provocação, e depois do Haka decidiram continuar o seu aquecimento, retardando o início da partida. Mais de 52.000 espectadores e o XV neozelandês observaram durante 4 ou 5 minutos a equipa «aussie» a realizar novos exercícios de preparação do jogo…

O jogo jogado

No que ao jogo jogado diz respeito, creio não errar se disser que teve 75 minutos de Rugby cautelosos, com variações entre o bom e o medíocre (muitas faltas no chão e muito antijogo), e 15 minutos de grande nível, com os Wallabies a tentarem tudo para virar o 9-13 com que terminou a partida.

O jogo foi interessante, sobretudo a luta entre os packs, que durante a semana estiveram no centro das atenções. Os homens da frente australianos começaram bem, mas um jogo tem 80 minutos e notou-se grande dificuldade em acompanhar o alto ritmo e a excelente preparação dos kiwis.

Os neozelandeses jogaram «quanto baste». Aproveitaram as oportunidades que tiveram, e nem as exibições infelizes de alguns dos seus elementos – como Byron Kelleher, por exemplo – impediram que os pontos se fossem somando. Poucos… com apenas um ensaio, pelo rapidíssimo Joe Rokocoko, logo aos 10 minutos.

Importa também ter em conta que uma equipa que conta com Daniel Carter e Richie McCaw, e que apresenta um pack coeso, rápido, solidário e destemido… Nada tem a temer. Os All-Blacks demonstraram, mais uma vez, que neste momento não tem equipa à sua altura!


Legenda: Richie McCaw, n.º7 e capitão dos All-Blacks

Interessante notar que, mais do que o tempo/percentagem de posse da bola, o que importa é a eficácia dessa mesma posse. Os neozelandeses são muito mais rápidos na concretização das suas intenções. Jogam de «olhos fechados», e em poucos segundos colocam o jogo onde e como querem. Esta conclusão, especialmente evidente durante a Tour dos Lions à Nova Zelândia em 2005, foi hoje novamente demonstrada.

Os australianos não foram inferiores. Aliás, dominaram longos períodos da partida, estiveram mais vezes em situação de pontuar… Mas alguns erros a escassos metros da linha de ensaio kiwi deitaram sempre a perder o esforço de um XV que deu tudo em campo. A linha defensiva neozelandesa esteve irrepreensível e conseguiu alguns turnovers em momentos cruciais.

O capitão Gregan reconheceu que, a este nível, não aproveitar as poucas oportunidades que aparecem pode fazer toda a diferença. Foi o que aconteceu.

Pela negativa na turma de John Connolly estiveram Lote Tukiri e Matt Giteau, dois homens muito perigosos que pareceram estar arredados do jogo. Não fizeram a diferença, nem estiveram em evidência, como se esperava.

Os All-Blacks conquistam a terceira vitória no Trinations e a segunda sobre a Austrália, o que lhes garante desde já a Bledisloe Cup, competição entre as duas nações rivais, que se realiza desde 1932. No contexto desta disputa privada entre os kiwis e aussies, o saldo entre vitórias, derrotas e empates passa para:

Austrália – 30 vitórias
Nova Zelândia – 69 vitórias
Empates - 4

Ficha do jogo:

Estádio de Suncorp, Brisbane (Austrália)
Assistência: 52,498 espectadores
Torneio das Três Nações (3ª Jornada) – 29/07/2006
2º jogo da Bledisloe Cup
Árbitro: Alain Rolland (Irelanda)

Nova Zelândia, 13
Joe Rokocoko – 5
Daniel Carter – 2+3+3

Austrália, 9
Stirling Mortlock – 3+3+3

sexta-feira, julho 28, 2006

Rugby no Mundo

No inicio do Séc. XIX verifica-se que os jogos com bola surgem nos colégios britânicos, com grande adesão dos jovens mas sem regras nem formas de jogar uniformizadas.

Num desses colégios, em Rugby (perto de Birmingham), jogava-se um jogo colectivo com bola, sem regras escritas, tratando-se fundamentalmente de um jogo com grande carga física jogado com os pés, daí o nome Football Rugby. No entanto, em 1823 o jovem estudante William Webb Ellis infringindo as leis em vigor “agarrou a bola com as mãos e correu com ela originando assim a característica que distingue o jogo de rugby”.

Só em 1845 é que se começam a uniformizar as regras do desporto, originando a progressiva expansão a Oxford, Cambridge e todo o sul de Inglaterra. Estas novas regras são contestadas influenciando em 1863 à cisão entre Football Rugby e Football Association of England. Esta separação contribui decisivamente para o desenvolvimento das regras do rugby e para a fundação da Rugby Fooftball Union em 1871.

Surgem no final do Séc.XIX as federações nacionais das Ilhas Britânicas, Austrália, Nova-Zelândia e África do Sul.

O final do Séc.XIX assiste à primeira grande crise centrada no profissionalismo dos praticantes nesta modalidade, tendo-se verificado em 1893 a formação da Northern Union e reduzindo-se grandemente a implantação do rugby amador no norte de Inglaterra. Esta rotura daria origem ao aparecimento do Rugby Legue, rugby profissional de XII ainda existente.

Em 1880 foi formada a International Rugby Football Board, pelos países das Ilhas Britânicas e suas Colónias. Esta Federação tem dirigido o rugby internacional desde então, mas durante quase 100 anos não permitiu a participação nas suas reuniões a outros países, além dos 7 mencionados. Só a partir de 1978 se abrem as portas a França e outros países.

Em 1934 é formada em França a FIRA – Federação Internacional de Rugby Amador – na fundação participa Portugal. Esta nova federação viria a contribuir decisivamente para a criação de condições para a competição internacional entre os países de segunda linha do rugby.

As leis de Jogo têm sido alvo de sucessivos ajustes nos últimos anos, garantindo assim mais espectáculo e mais segurança aos jogadores. As regras actuais podem ser consultadas em português aqui.

Perspectivas para 2006/07 - a 2ª Linha

Tal como acontece na 1ª linha, o Belenenses tem no seu plantel excelentes soluções para as camisolas n.º4 e 5. Os jogadores da 2ª linha são aqueles que, durante as formações ordenadas, «encaixam» nos três da frente, formando o chamado «cinco da frente», ou «tight five».

Este quinteto é essencial pois é na sua força e técnica que reside o verdadeiro poder do pack, durante as mêlées (formações ordenadas). Os jogadores da 2ª linha equilibram as formações e são essenciais quer na defesa da posse de bola, quer na rotação/recúo do pack adversário. São normalmente os jogadores mais altos da equipa e são eles quem «saltam» nos alinhamentos, auxiliados pelos pilares, que executam o chamado lifting.

O Belenenses conta com bons jogadores na 2ª linha, sendo que cada um deles tem características diferentes.

Os dois «2ª linha» que em condições normais ocupam os seus postos no pack azul são o n.º4 Manuel Mata Pereira e o n.º5 Lourenço Andrade («Esparguete»). Para além destes dois atletas internacionais, o Belenenses conta com outros jogadores que podem assegurar identicas funções: Vaz Pinto e o polivalente Sebastião da Cunha são dois exemplos. Por fim, e tendo em conta que o rejuvenescimento da equipa é uma prioridade, importa referir que o internacional junior Salvador da Cunha pode também ele alinhar na 2ª linha azul.

Relativamente aos dois «titulares» habituais, importa referir o seguinte:

Lourenço Andrade é de facto um jogador com condições físicas ideais para a posição. Com quase 2 metros de altura e 92 quilos de peso, este internacional luso de 30 anos de idade continua a dominar o jogo nas alturas, garantindo larga percentagem de bolas ganhas nos alinhamentos.


Legenda: Lourenço Andrade

Em 2005/2006, Lourenço Andrade esteve ausente por lesão durante grande parte da fase regular, mas regressou no fim da temporada, tendo realizado bons jogos pelo Belenenses e pela selecção.

No que diz respeito a Manuel Mata Pereira, que se tornou internacional precisamente esta temporada, ao alinhar contra a Ucrânia no Torneio Europeu das Nações, importa ter em conta que se trata de um jogador com outras características. Este jogador de 24 anos de idade não é tão alto como muitos dos seus competidores directos (1,84m), mas os seus 100 quilos fazem mossa no pack adversário, sendo um elemento essencial nas formações ordenadas.

Trata-se de um jogador de enorme regularidade e grande disponibilidade para o Rugby. Jogou em praticamente todos os encontros da época, estando sempre presente durante o jogo. Parece gostar do jogo físico – aliás, como obriga a sua posição – e é um elemento essencial na luta pela posse da bola nas fases estáticas.

Durante a temporada 2004/2005, Mata Pereira capitaneou a equipa do Belenenses, o que tendo em conta a sua idade (na altura teria 22 anos) é bem demonstrativo do respeito e adminiração que todo o Rugby belenense por ele tem.

Perspectivas para 2006/07 - a 1ª Linha

A primeira linha de uma equipa é constituída por dois pilares (n.ºs 1 e 3) e um talonador (n.º2). Tratam-se, regra geral, dos jogadores mais robustos das equipas, adaptados ao árduo trabalho nas fases estáticas, à luta pela conquista de terreno e pontos de aglomeração no ataque, à defesa «desesperada» do seu meio campo defensivo. São eles que lutam pela bola, que empurram nos «mauls» ou que tentam deter os «mauls dinâminos» adversários.

Se o pack é a peça fundamental para vencer jogos, a primeira linha é, de certa forma, a «cabeça do pack». As funções dos 3 da frente são muitas e importantes, e não é nosso objectivo fazer o seu levantamente exaustivo. Ainda assim, procuraremos dar a nossa opinião acerca dos recursos existentes no Belenenses para a 1ª linha, tendo em conta as colossais tarefas que se colocam ao conjunto de jogadores que temos para as três primeiras camisolas dos XV.


Legenda: Christian Spachuk, Paulo Santos e Juan Murre, três jogadores internacionais da 1ª linha azul.

A primeira linha é composta pelos «paus-para-toda-a-obra», expressão que no Rugby moderno se vai aplicando cada vez mais a todos os 15 elementos de cada conjunto em campo. Com isto não quero dizer que um «arrier» tenha de assegurar as funções de pilar, mas é cada vez mais necessário cada elemento conhecer o jogo de forma global.

Ao talonador (n.º2), por exemplo, já não se exige apenas que capte a bola nas formações ordenadas, nem que faça de forma eficaz a reposição da oval nos alinhamentos. As suas funções são muito mais vastas, e implicam força, técnica e espírito de sacrifício.

Ele deve ser eficaz na reposição de bola, é certo. Mas deve também saber interpretar os movimentos dos restantes elementos do pack, por forma a saber para onde e quando atirar a bola. Nas formações ordenadas, é o talonador que «comanda» o pack. É ele que está no centro de toda aquela massa humana pesando não raras vezes mais de 1500 quilos.

Nas fases iniciais do ataque, é frequente ver os talonadores a ganhar metros de bola na mão, ou a correr em auxílio de um companheiro placado, formando um ruck.

Para 2006/2007, a equipa do Belenenses conhece pelo menos uma saída na 1ª linha: o argentino Nicolas Formigo, chegada ao Dezembro ao Restelo, regressou a Buenos Aires e não jogará de azul na temporada que se aproxima. Formigo alinhou por diversas vezes no XV inicial precisamente como talonador, tendo como substituto Rodrigo Silveira. Por outro lado, os talonadores internacionais Paulo Santos e André Santos, que começaram a temporada a jogar com alguma regularidade, acabaram por «desaparecer» dos jogos de fim de época.

Sem Formigo, que não rendeu o que dele se esperava, o Belenenses terá de apostar forte nos bons talonadores que formou. O André Santos é um jogador talentoso e o Paulo Santos deverá formar, junto com os dois pilares luso-argetinos o trio da frente do pack belenense. Rodrigo Silveira poderá também alinhar com a camisola n.º2.

Um potencial problema é a prolongada paragem dos talonadores portugueses da equipa. Praticamente não alinharam a partir de Janeiro/Fevereiro de 2006. Perderam meses de competição, uns por lesão, outros por razões que desconheço. Importa por isso fazer trabalho redobrado com os nossos camisa 2.

Nas posições de pilar, o Belenenses dispõe de duas soluções quase inquestionáveis: Juan Murre (que recentemente adquiriu a nacionalidade portuguesa e é já internacional luso) e Christian Spachuk (também ele luso-argentino e internacional português). Juan e Christian são provavelmente os mais fortes pilares do Rugby nacional, constituindo duas das mais fortes razões para ser o pack belenenses o mais poderoso da Divisão maior da modalidade.

Outro pilar ao serviço do Belenenses, formado nas escolas do clube, é Fernando Murteira, jogador que alinhou em vários jogos da Divisão de Honra, e que é frequentemente a aposta do banco azul para render Juan Murre durante os encontros. A lista de pilares completa-se com Carlos Janardo, de 21 anos.

As funções dos pilares são cada vez mais extensas. Para além de assegurarem as posições laterais da 1ª linha na formação ordenada, os pilares são essenciais nos alinhamentos (são eles que elevam o saltador), sendo que estas situações são essenciais na disputa pela posse da bola!

Cada um dos pilares tem ainda funções diferentes na formação ordenada. Mas essencialmente, o seu papel é apoiar o talonador e impedir que a mêlée rode quando a sua equipa está na posse da bola, o que significaria nova mêlée mas com introdução para o adversário.

Em suma: temos bons pilares e bons talonadores. A questão que se coloca é se os quatro pilares e os três talonadores têm «estaleca» para aguentar uma temporada dura, com jogos de selecção pelo meio (dos sete, quatro são internacionais...), e com as habituais lesões e castigos a interferir na composição da 1ª linha.

Apresentação do Blog

O Blog BELENENSES XV é um espaço de informação e debate dedicado ao Rugby português e, em particular, ao Rugby do Belenenses. É um blog azul belenense, sem riscas nem falsas independências. Mas procurará ser justo na apresentação dos temas, na publicação das notícias e na avaliação dos problemas do Rugby luso.

A temática central do Blog será o Rugby do Belenenses e todas as provas nacionais de clubes em que os diversos XV azuis participarem. Procuraremos dar não apenas atenção aos seniores, mas também aos escalões de formação, dos juniores aos bambis.

Por outro lado, e porque o mundo oval não se esgota nas fronteiras clubísticas, o Blog estará atento e noticiará os eventos e questões do Rugby internacional, com especial destaque para as grandes provas de selecções e clubes, e para a participação das nossas selecções nas competições em que regularmente se vê envolvida.

Do ponto de vista não estritamente desportivo, procuraremos contribuir de forma construtiva para a melhoria da componente organizaativa do Rugby nacional.

Sejam bem vindos ao Belenenses XV!

terça-feira, julho 25, 2006

A fundação do Clube

Algum tempo antes terminara a Grande Guerra!

Há muito que a juventude ambicionava a formação de um grande clube desportivo que representasse o populoso bairro de Belém.

Finda a época de 1918/1919, Artur José Pereira deixou o Sporting Clube de Portugal, no propósito de fundar um clube com o nome da sua terra: Belém. A ideia alastrou rapidamente e quis o acaso que alguns jogadores, representando então o Benfica, ali moradores, tendo sido castigados se transformassem também em acérrimos defensores da formação da nova colectividade, assente em alicerces de inspiração bairrista profundamente vividos. A existência de vários jogadores belenenses, espalhados por diversos clubes da capital, mais arreigou a certeza de ser fácil concretizar a aspiração. Estava dado o passo que não pararia mais!

Numa noite de fins de Agosto de 1919, num banco do jardim da Praça Afonso de Albuquerque, um grupo de amigos onde pontificava Artur José Pereira, o seu irmão Francisco Pereira, Henrique Costa, Carlos Sobral, Joaquim Dias, Júlio Teixeira Gomes, Manuel Veloso e Romualdo Bogalho encetaram as primeiras conversas para a formação do Belenenses. Foram consultados Virgílio Paula e Reis Gonçalves, figuras proeminentes da altura, que deram caloroso apoio à iniciativa e, novas reuniões e aderentes depois, a ideia ganha corpo definitivo.

A 23 de Setembro de 1919, sob apadrinhamento de Afonso de Albuquerque, é resolvida em definitivo a fundação de um clube que agrupasse sob uma só bandeira todos os rapazes do bairro de Belém, amantes e praticantes do futebol e de outras modalidades.

O clube nasce, e com ele um campo de jogos situado nos terrenos frente à sua sede, na Rua Vieira Portuense 48-1º, onde se realizam os primeiros treinos e jogos. Este espaço, antigo campo da FNAT, foi apelidado de Campo do Pau do Fio por nele estar colocado um poste de electricidade. O rectângulo desenhado a risco tosco não servia, obviamente, para jogos oficiais, mas era aceitável como lugar dos treinos e de captação de jovens jogadores. As sessões de preparação e as experiências eram, normalmente, presenciadas por pequenas multidões já muito interessadas na evolução do clube da sua terra. A algumas delas, assistiu o então Presidente da República, Dr. Teixeira Gomes.

«Digamos que o Belenenses, parecendo uma inevitabilidade, nasceu de um impulso. Mas, mais do que ter vindo ao mundo numa maternidade ao ar livre, surpreendeu pela robustez e, sobretudo, pela determinação dos seus fundadores que enfrentaram o dédalo formado por más vontades, intrigas e ausência total de desportivismo de várias forças. Chegou ao desporto português à revelia dos interesses bizantinos de muitas e boas almas. (Homero Serpa)».

(texto extraído do site oficial do Belenenses)

1928 - A primeira equipa!

O primeiro jogo disputado pelo "Râguebi" belenense teve lugar no final do ano de 1928 (mais concretamente a 30 de Dezembro de 1928). O adversário foi o Benfica e o jogo contava para o Campeonato de Lisboa, que nesse ano foi vencido pelo Sporting, uma das mais importantes formações dessa época. O resultado final foi 11-0, a favor dos nossos. Estava escrita a primeira linha de uma das páginas mais interessantes da vida do clube.

A modalidade havia chegado ao Belenenses pela mão de Rodrigo Bessone Bastos e António Basílio dos Santos. Com eles vieram alguns rapazes de Algés, que se juntaram a atletas belenenses com origem noutras modalidades, como a natação, por exemplo... Estava formada a primeira equipa azul. Dela faziam parte António Carvalho, António Moutinho de Almeida, Abílio Nascimento, Adelino Mendes, António Basílio dos Santos, Delfim da Cunha, Eduardo Metzner Serra, Eduardo Vieira Alves, Francisco Rebelo de Andrade, Hermano Patrone, Joaquim Sabrosa, Joaquim Ribeiro Nunes, Joaquim Vaz, José Teixeira, Leonel Freitas, Licínio Vaz, Mário Brandão, Manuel Cardoso, Octaviano Benedito, Bessone Bastos e Ruben Domingos.


Créditos: Jornal «A Bola».

No primeiro Campeonato disputado (o de Lisboa, de 1928/29) o clube alcançou a 3ª posição, logo atrás do Sporting e do Ginásio Clube Português.

1. Sporting CP - 24 pts.
2. Ginásio CP - 20 pts.
3. Belenenses - 15 pts.
4. Benfica - 11 pts.
5. Carcavelinhos - 4 pts.

Os resultados então alcançados foram os seguintes:

Belenenses, 11 - Benfica, 0
Belenenses,9 - Carcavelinhos, 0
Belenenses, 3 - Ginásio, 5
Belenenses, 0 - Sporting, 17
Belenenses, 11 - Benfica, 0
Belenenses, 12 - Carvavelinhos, 6
Belenenses, 10 - Ginásio, 12
Belenenses, falta de comparência - Sporting, vitória

O Belenenses haveria de esperar até à época 1942/43 para alcançar a sua primeira grande vitória na modalidade, quando venceu o Campeonato de Lisboa. Todavia o rugby foi-se fortalecendo no clube, constituindo hoje um dos motivos de orgulho dos sócios de "Os Belenenses".

Fonte:

- Livro "Nomes, números e factos do Clube de Futebol Os Belenenses", da autoria de Acácio Rosa.

quinta-feira, julho 20, 2006

Palmarés do Rugby Azul

Emblema histórico do Rugby português, o Belenenses é um dos clubes com maior palmarés na modalidade, não apenas na categoria de seniores mas também no que se refere aos escalões de formação.

Os títulos mais importantes conquistados pelos sucessivos XV da Cruz de Cristo são:

5 Campeonatos Nacionais (seniores)
1957/58
1962/63
1972/73
1974/75
2002/03

Taças de Portugal (seniores) - 8 presenças na final
1959 - Vitória
1964 - Vitória sobre o Sporting
1971 - Derrota: Técnico, 12 - Belenenses, 6
1978 - Derrota: Agronomia, 12 - Belenenses, 11
1982 - Derrota: Direito, 16 - Belenenses, 13
1989 - Derrota: CDUL, 13 - Belenenses, 12
2001 - Vitória: Belenenses, 13 - Direito, 12
26/05/2005 - Derrota: Direito, 19 - Belenenses, 12

3 Supertaças
2002
2003 - Belenenses, 45 - CDUP, 12
2005 - Belenenses, 18 - Direito, 16

3 Taças de Honra
8 Campeonatos de Lisboa
1 Taça de Lisboa
12 Campeonatos Nacionais de Juniores
3 Taças Ibéricas de Juniores
7 Campeonatos Nacionais de Juvenis
2 Supertaças de Juvenis
4 Campeonatos Nacionais de Iniciados