:: Belenenses XV ::: Agosto 2006

quinta-feira, agosto 31, 2006

Selecção - Últimas

A Selecção Nacional de râguebi prossegue os trabalhos de preparação da digressão à Argentina, já na próxima quarta-feira, onde vai tentar ganhar ritmo competitivo para a ronda de apuramento do Mundial de 2007 que se avizinha.

Numa das melhores fases de sempre e com possibilidades reais de garantir um lugar entre os finalistas da sexta edição da Taça do Mundo, o seleccionado luso tem desenvolvido um trabalho intensivo, onde os técnicos procuram elevar os índices físicos do grupo e, ao mesmo tempo, o sistema de jogo.

Após um curto estágio durante o fim-de-semana, no Algarve, as "quinas" regressaram a Lisboa, mas ainda sem alguns dos seus elementos mais influentes que só deverão juntar-se ao grupo nas vésperas da partida para a América do Sul.

Trabalho muito forte

Num pequeno balanço daquilo que já foi feito e do que está no plano dos treinos mais próximos, o seleccionador nacional, Tomaz Morais, adiantou: "Realizámos um trabalho muito forte com três componentes essenciais. Na parte física, procurámos melhorar as três vertentes que achamos mais importantes: força, resistência e velocidade. No ritmo de jogo tentámos trabalhar com exercícios que permitissem manter a bola 'viva', utilizável. Por fim, fez-se um trabalho teórico que consistiu na divisão do grupo em quatro subgrupos para fazerem uma análise ao passado e uma relexão sobre o futuro. Aqui, tentamos aumentar os níveis de competição interna entre esses minigrupos".

Em conclusão, Morais rematou: "Tem sido um trabalho bastante inovador e muito positivo. Vamos continuar a trabalhar a parte física (de manhã) e o sistema de jogo durante as tardes, com especial destaque à defesa e às situações de conquista - formações ordenadas e alinhamentos, tanto reduzidos como completos".

Fonte: Jornal "O Jogo"

«Ponto da situação»

Em Outubro de 1980, no n.º1 da Revista RUGBY, a Direcção da FPR fazia um «ponto da situação» relativamente ao estado da modalidade em Portugal. Interessante texto, no qual se apontam questões que hoje, passados 26 anos, encontram significativa actualidade. É incrível como em 2006 se pode ler um texto de 1980 e encontrar nele um reflexo quase perfeito do estado actual de coisas do Rugby luso.

Leia-se por exemplo esta passagem:

«Esqueceu-se de que era preciso criar uma maior capacidade de resposta em termos de condições de treino – campos essencialmente – em termos de técnicos, árbitros, dirigentes desportivos, capazes de, num todo, corresponderem ao crescente número de solicitações dos praticantes. E hoje, é com certo amargor que se vê, que se constata que, em vez dos cerca de 7000 praticantes de rugby Federados, poderíamos ter o dobro, pois assistimos diariamente ao desaparecimento, desencorajados e desmotivados, de muitos jovens e, alguns, potenciais valorosos jogadores».

Impressionante a correspondência entre o passado mais ou menos longínquo (26 anos é… mais de um quarto de século) e a actualidade.

O Rugby vivia então mudanças e tomava decisões importantes. O regresso à FIRA era discutido, por exemplo… Mas já era, nessa mesma altura, uma modalidade fechada sobre si, como hoje. O facto de contar com mais praticantes que espectadores era para a FPR um facto salutar. Hoje a perspectiva parece ser a mesma.

A modalidade, que era segundo a FPR a 5ª «amadora» do ranking nacional, perdeu força, perdeu praticantes e perdeu várias oportunidades de ouro para crescer. O orgulhoso amadorismo dos anos 80 (e anteriores) já lá vai, e hoje deseja-se o profissionalismo, ou pelo menos um semi-profissionalismo. Será que o Rugby luso tem base de sustentação para concretizar essa intenção?

Segundo o Plano Estratégico da FPR, em 2004/2005 existiam em Portugal 2545 jogadores federados, número muito aquém dos tais 7000 de 1980 (mesmo tendo em conta eventuais diferenças no critério de apuramento do número de praticantes). Para onde foram? Desapareceram, diariamente, «desencorajados e desmotivados» pela má gestão dos recursos (poucos, é certo) colocados ao dispor da modalidade.

Sejamos claros: em Portugal há muita gente (uma imensa maioria) que nem sequer sabe o que o rugby é… Outros sabem que existe, mas não fazem ideia que as equipas nacionais têm progredido de forma impressionante, concretizando resultados inimagináveis há apenas alguns anos. Mérito e demérito para a FPR, em simultâneo.

Repito o que já escrevi antes: a desvalorização dos clubes e das competições nacionais está na génese do retrocesso do rugby luso, facto que nem os títulos internacionais de sevens ou de XV podem esconder. É preciso tirar a cabeça da areia (tipo avestruz) e olhar à volta: as bancadas estão vazias, os «Morangos com Açúcar» já lá vão, alguns miúdos que vieram aos clubes desapareceram, outros apareceram, mas o problema da falta de estratégia de crescimento da modalidade persiste!

O Plano (já referido) aponta metas, não medidas concretas, e entre 1980 e 2006 já passaram 26 anos, quase tantos quantos eu tenho de vida. Porque é que o panorama continua a «não ser brilhante» (nem perto disso)?

Esperar pelos benefícios que o texto de 1980 refere não irá alterar nada. Há que aplicar fora de campo a combatividade típica dos jogadores de Rugby, junto das instâncias que podem – com verbas, apoios, divulgação, programas e projectos concretos – dar ao Rugby outro ânimo. E já agora é preciso descer das nuvens, e perceber que não há no Rugby nenhum tipo de superioridade face às outras modalidades, perspectiva arrogante que ainda se lê no discurso de muitos ex-praticantes/actuais dirigentes da modalidade. Se querem progredir, se querem mais infra-estruturas e mais projecção para o Rugby é preciso abrir a modalidade a todos.

Ainda se está a tempo de alterar o essencial… Haverá vontade?

Nota: É um pouco cansativo, para quem lê e para quem escreve, passar a vida a apontar os pontos negativos do Rugby nacional. Mas é preciso fazê-lo, porque para quem manda tudo parece estar bem. O episódio relativo ao jogo que era suposto ter ocorrido mas não aconteceu (pelo menos que se saiba) é paradigmático do «estado a que isto chegou». Lamentavelmente, terei de continuar a escrever pela negativa relativamente a questões do foro organizacional. Pode ser que alguém leia…

Sobre Gavin Henson


Legenda: Jonny Wilkinson e Gavin Henson, durante a Tour dos Lions à Nova Zelândia.

Há umas semanas atrás escolhi o meu XV preferido da actualidade. Na caixa de comentários, e com inteira legitimidade, dois leitores referiram o nome do galês Gavin Henson como uma escolha possível, o que foi prontamente contestado por um outro leitor do nosso blog.

Pessoalmente foi jogador que nem sequer me ocorreu. Tenho-o como um jovem talentoso, mas como um «não-jogador» de Rugby. Henson é uma pop-star que ganha a vida nos relvados, de oval na mão (ou no pé, como gosta), mas ser jogador de Rugby é outra coisa... Ele é uma figura pública no seu país, mas utiliza esse estatuto de forma negativa, o que aliás admite sem problemas. Em recente entrevista à revista RUGBY WORLD diz que se quer assumir como «un Cantona ou Ronaldo do Rugby».

Alinhando pelos Ospreys nas competições nacionais galesas, bem como na Celtic League, Henson tem um currículo invejável. É internacional pelo seu país, ganhou o Torneio das VI Nações (no ano do Grand Slam), foi chamado aos Lions (para a Tour de má memória, à Nova Zelândia, onde alinhou com a camisola 12 no 2º «test-match») e triunfou na Celtic League. Nada mal para um jovem de 23 ou 24 anos...

Mas Gavin Henson tem também o currículo sujo por comportamentos considerados inadequados, ou mesmo ilegais. Depois da Tour dos Lions, e após recuperar da lesão que o afastou do início das competições de clubes, Henson foi suspenso por agredir um jovem opositor irlandês. E a verdade é que, apesar dos títulos conquistados, e da distinção da IRB em 2001 («Melhor jogador jovem do mundo»), Henson não mostra serviço há já algum tempo.

Acresce a tudo isto as considerações acerca de alguns companheiros de equipa dos Lions no seu livro «My Grand Slam Year», as quais o obrigaram a vir publicamente pedir desculpas aos atletas referenciados. No seio da selecção galesa, Henson foi «obrigado» a reunir com alguns dos atletas envolvidos na polémica, tentando serenar os ânimos.

A sua excentricidade, exteriorizada pelas constantes mudanças de visual, fazem lembrar os piores exemplos do mundo do futebol, e nem o seu talento pode - um dia destes - ser suficiente para apagar uma imagem cada vez mais ridícula perante o universo dos amantes da modalidade.

Henson tornou-se um alvo fácil dos «papparazi», das revistas cor-de-rosa e da imprensa sensacionalista britânica. Pessoalmente nada disso me interessa. A sua vida é... sua. Mas uma coisa é levar a vida que se quer. Outra bem diferente é não querer «pagar» as consequências dos comportamentos. Henson tem pago pelo que faz e também pelo que não faz... É o preço da fama que procura a todo o custo, através da sua excentricidade!

Não é um jogador vulgar, como já li. É um bom jogador. Ninguém é internacional galês nem joga pelos Lions apenas por mero acaso... Mas como já referimos aqui no blog - mais do que uma vez! - não basta talento. É preciso cabeça! E Gavin Henson é o pior dos exemplos para os jovens jogadores de Rugby da actualidade.

terça-feira, agosto 29, 2006

Selecção Sub-20

Foram convocados para os treinos da Selecção Sub-20 os seguintes jogadores azuis:

DIOGO JORGE
JOÃO FEZAS VITAL
MIGUEL ONOFRE
SALVADOR CUNHA
CARLOS GASPAR
DUARTE BARVO
TIAGO CABRAL


Duarte Bravo (com a bola) e Carlos Gaspar (com os braços no ar)
Créditos: Rui Vasco Silva (Rugby do Belenenses - site não oficial)


Na liderança dos Sub-20 estará Pedro Netto, jogador azul.

Uma faca de dois gumes…

O diário desportivo «O Jogo» noticia hoje que a equipa de Sevens de Portugal terá sido abordada no sentido de participar na totalidade das etapas do circuito da IRB de 2006/2007.


Legenda: Diogo Mateus (Créditos: Site da FPR).

Os «Lobos» já disputavam com boa regularidade as etapas do circuito, mas a confirmar-se este convite da IRB, os portugueses realizarão pela primeira vez a competição completa, o que levanta questões importantes, transformando a reflexão em torno desta discussão numa faca de dois gumes… Quero dizer: existem bons argumentos para agarrar o convite com todo o empenho e argumentos igualmente válidos para pensar duas vezes antes de investir mais recursos e tempo numa variante do Rugby que, para a generalidade das grandes nações da modalidade, é meramente secundária.

O seleccionador nacional de XV e Sevens, Tomaz Morais afirma «Temos de aproveitar a oportunidade, seria suicídio se não o fizéssemos» (O Jogo, 29/08/2006, pág.36). Compreendo perfeitamente o seu entusiasmo, bem como a motivação dos jogadores portugueses para participarem em todas as etapas, com outras condições de preparação e, por consequência, com outras possibilidades de obter melhores resultados.

Ninguém mais do que os jogadores e o técnico merecem «brilhar» nos relvados, e o circuito de Sevens da IRB poderá ser o palco ideal para o fazer. Se hoje já lutamos efectuamos bons jogos contra equipas como a Argentina, Gales, Escócia e Samoa, no futuro poderemos competir de forma consistentes contra essas mesmas nações. E isso só poderá ser positivo para o Rugby português como um todo e para os jogadores dos «Lobos», no plano equipa/individual.

Creio que atletas como o Diogo Mateus merecem jogar perante multidões. Merecem erguer troféus importantes e sobretudo jogar Rugby de alto nível. Tomaz Morais, que não conheço pessoalmente, também o merece (tenho essa ideia), e é natural que a abordagem da IRB abra enormes expectativas e esperanças nos nossos atletas.

O que não encontro é uma relação directa entre a participação de uma equipa profissional/semi-profissional no circuito de sevens da IRB e uma real evolução na vertente clássica do Rugby, disputado entre equipas de XV elementos. Pelo contrário, a concentração excessiva na vertente de sevens tem tido impacto negativo ao nível das competições nacionais portuguesas e, num contexto mais alargado, no desenvolvimento da modalidade em algumas nações mais poderosas no mundo oval. Os «Sevens» não são, na minha perspectiva, uma boa estratégia de desenvolvimento da modalidade no seu todo quando encarados como uma prioridade nacional.

O XV das Fiji já foi mais temido do que é hoje, e muitos apontam o seu enfraquecimento à aposta total no circuito de Sevens da IRB. É certo que as Fiji não têm, neste momento, equipa à sua altura no circuito, mas o arquipélago vem perdendo competitividade na vertente de XV.

Portugal conta com poucos praticantes e um número muito reduzido de jogadores com qualidade para representar a selecção nacional. Dividir forças entre a equipa de XV e a selecção de «Sevens» (acrescentando-se ainda o Rugby de clubes) poderá ser perigoso, em especial quando falamos de atletas actualmente amadores. O circuito de Sevens é extenuante, envolvendo frequentes deslocações aos mais remotos destinos deste mundo, e não será possível pedir aos atletas mais utilizados que alinhem igualmente na selecção de XV.

Depois há a questão das incompatibilidades entre a utilização de jogadores nas equipas nacionais e a utilização dos mesmos atletas nas competições de clubes. Alguns emblemas poderão ter interesse em manter um elevado número de atletas seus no circuito da IRB, mesmo com prejuízos desportivos imediatos. No caso do Belenenses creio que não. O Belenenses não tem no Rugby a sua modalidade n.º1 (nem única) e precisa de resultados regulares para «justificar» a manutenção da modalidade e da sua excelente escola de jogadores, provavelmente a melhor do país.

Infelizmente, o calendário e o modelo de campeonato para 2006/2007 foi aprovado sem ter em conta esta possibilidade de ter um grupo de jogadores a competir de forma ainda mais regular nas etapas no circuito da IRB. Os clubes acabaram por assinar de cruz um mapa de jogos que poderá vir a ser alterado por via da concretização prática do convite e sua aceitação por parte da FPR.

É uma faca de dois gumes, perigosa seja qual for a perspectiva de abordagem.

Post Scriptum I: De férias no Algarve formulei a uma senhora de uma loja de revista (em Tavira) a pergunta mais estúpida que essa mesma vendedora terá ouvido nos últimos tempos: «Tem revistas de Rugby?». Surpreendida, respondeu: «Não… Isso nem se joga em Portugal, pois não?». Lá lhe expliquei que sim, e em dois ou três minutos a senhora já me dizia: «pois é, como não se vê na televisão a gente não sabe». Parece-me que é nesta questão que reside o verdadeiro «suicídio» do Rugby luso.

"Lobos" no grupo permanente

A selecção portuguesa de râguebi de sete vai integrar, já na temporada a iniciar em Dezembro deste ano, o grupo permanente do Circuito Mundial de Sevens, prova organizada pelo International Rugby Board (IRB), organismo que tutela a modalidade e que compreende oito torneios.


Créditos: Site GGDireito

O convite do IRB vai ao encontro das ambições do seleccionador nacional, Tomaz Morais, e dos jogadores que nos últimos anos têm revelado uma evolução notável, confirmada tanto pelas excelentes exibições nos torneios deste circuito – a ponto de os "Lobos" serem um dos "setes" que mais interesse desperta na assistência –, como nos resultados alcançados. Portugal entrou no "top ten" no Mundial de Hong Kong e é pentacampeão europeu da especialidade, somando 16 torneios, 88 vitórias, dois empates e meia dúzia de derrotas.

Ao recente convite ainda não são conhecidas reacções por parte dos responsáveis federativos, mas, no regresso de Moscovo, onde conquistaram o "penta", Tomaz Morais referiu-se à hipótese agora confirmada: "Temos de aproveitar a oportunidade, seria suicídio se não o fizéssemos". Agora, a preparar a selecção de "quinze", mostra-se satisfeito com o convite: "É uma honra enorme e o reconhecimento do nosso valor, da qualidade do râguebi português, mas há muito trabalho pela frente".

E, antes das merecidas férias, o timoneiro do râguebi luso afirmou: "Se integrarmos o Circuito Mundial, não tenho dúvidas que seremos uma equipa para discutir a Plate e a Cup, os dois mais importantes troféus em disputa".

Fonte: Jornal "O Jogo"

domingo, agosto 27, 2006

All Blacks invictos

A Nova Zelândia continua a somar vitórias no prestigiado torneio das Três Nações, cujo título já conquistou assim como a taça Bledisloe, esta numa disputa com os vizinhos australianos.

E, enquanto os All Blacks somam prestígio, os Springboks afundam-se, não sendo capazes de encontrar soluções para saírem da crise em que mergulharam aquando da derrota, em Brisbane, por 49-0, a segunda mais pesada do seu largo historial.

Ontem, em Pretória, os Boks voltaram a ser "eclipsados", isto apesar do promissor início, com os africanos a inaugurarem o marcador logo no minuto inicial, através de uma penalidade de Percy Montgomery que, ao quarto minuto, ampliou para 6-0. O ensaio do formação (10 minutos), Fourie du Preez permitiu sonhar aos sul-africanos que viram o tempo passar e o sonho desvanecer.

Pouco depois da meia hora de jogo, a Nova Zelândia arrancou para a quinta vitória (em cinco encontros) por 45-26 (16-11 ao intervalo), que resultou na mais dura derrota sofrida em casa pela África do Sul.

Aos Springboks restam duas oportunidades para recuperarem o orgulho perdido, a primeira já no próximo sábado novamente com os Kiwis e, na partida de encerramento, frente aos "carrascos" australianos, em Joanesburgo.

Fonte: Jornal "O Jogo"

sábado, agosto 26, 2006

Vários

#1
Francisco Nogueira ruma a Barcelona

O «asa» azul Francisco Nogueira não vestirá na próxima temporada a camisola azul do Belenenses, uma vez que rumará a Barcelona, no quadro do programa Erasmus, o qual permite o intercâmbio de alunos universitários entre países do espaço europeu. O jogador belenense não deixará todavia de jogar Rugby, e tenciona alinhar num emblema catalão, onde possa jogar ao mais alto nível naquela nação do estado espanhol.


Legenda: Francisco Nogueira, ao centro, junto a Pedro Netto e Manuel Castagnet. Créditos: Blog «CFBelenenses» (Luís Lacerda).

A equipa campeã do Santboiana, onde alinhou João Uva, é uma hipótese, mas de momento é precoce avançar com o nome do clube a representar por Francisco Nogueira. O Belenenses XV não deixará de acompanhar este processo de «transferência», e noticiará o percurso desportivo do jogador formado nas escolas do clube.

Ao Francisco desejamos a melhor sorte do mundo nesta aventura catalã.

#2
Rugby internacional num blog azul?

Sim! O «Belenenses XV» definiu como âmbito editorial prioritário o Rugby do Belenenses, mas decidiu – desde o início – alargar os seus textos a assuntos diversos do Rugby nacional e a notícias, artigos e comentários relativos às incidências do mundo oval internacional. Porquê?

A resposta é simples: a discussão da modalidade fora das «fronteiras azuis», mesmo num Blog de âmbito belenense, serve obviamente para dar maior visibilidade à modalidade. Divulgar o Rugby é um dos objectivos fundamentais deste Blog, uma vez que dar maior visibilidade ao jogo ajudará a trazer mais gente às bancadas do Restelo, onde alinha o nosso valoroso XV.

#3
Ainda sobre a AG da Federação…

A assembleia-geral da FPR é aguardada com justificada expectativa. Que conclusões sairão da reunião solicitada pelos clubes? O ponto sobre os escalões é chave, tal como o são outros. Um dos aspectos que me parece importante é a definição de um prazo limite para a inscrição de atletas. O que não entendo é o critério para o estabelecimento da data (31 de Dezembro). Sem pensar muito no assunto encontro pelo menos uns 3 ou 4 argumentos para contrariar uma data tão próxima do início da temporada. Mas sobre o tema já escrevi o que entendia. Aguardo (aguardamos todos, creio) as decisões tomadas pelos clubes.

#4
Uma revista do Rugby, em português…

Faz falta, creio que ninguém dúvida. O Rugby é mal tratado pela comunicação social, e as poucas linhas a ele dedicado semanalmente em dois ou três diários (dois desportivos e um generalista) não chegam para suprir a necessidade de informações da pequena (mas dedicada) comunidade oval portuguesa.

O site da FPR… é o que é. A empresa «Facesport» não foi nem será a resposta. Os textos são pobres e pouco regulares; a informação é desactualizada.

Para criar uma publicação de qualidade é preciso investir, mesmo que o projecto seja construído tendo por base o trabalho voluntário (ou seja, não remunerado) de uma dúzia de pessoas mais dedicadas e sonhadoras. Eu acho que é possível, mas de onde virá o dinheiro?

#5
Digressão pela Argentina


Legenda: Os Lobos conquistaram o 3º lugar no Torneio Europeu das Nações, e a hipótese de lutar por um lugar no Mundial 2007. No seu grupo de qualificação encontrará a Itália (em Roma) e a Rússia (em Portugal). Créditos: www.fotoprofesional.cz

A digressão sul-americana do XV luso poderá ser um momento chave na preparação da equipa nacional para a 5ª ronda de qualificação do Mundial de França 2007. Sobre o bizarro modelo de apuramento escreverei algo mais tarde. Sobre a digressão – que passará pela terra dos Pumas e pelo Uruguai – direi que faz todo o sentido, desde que encarada com total entrega por parte de todos os membros da delegação! Força, Lobos!

#6
URBA de luto

Um jogador de 32 anos faleceu poucos minutos depois de ser substituído durante uma partida da URBA, competição regional de Buenos Aires (Argentina), na qual competem alguns atletas que representaram recentemente o Belenenses. A morte de um ser humano é sempre de lamentar. A morte de um atleta – e em particular de um jogador de Rugby – é trágica. Que descanse em paz.

#7
Rugby e Racismo

Dois temas que aparentemente nada tem a ver um com o outro. Na África do Sul, onde durante anos vigorou um regime racista, Rugby e discriminação andaram de mãos dada durante muito tempo, com consequências para todos. As equipas africanas estiveram durante muito tempo isoladas, e os africanos de pele negra viram-se impedidos de vestir a camisola dos Springboks.

Felizmente, o tempo do «apartheid» já lá vai, e os adeptos do Rugby guardarão para sempre a imagem de Nelson Mandela a entregar a Taça do Mundo ao capitão Springbok François Pienaar, em 1995, verdadeiro símbolo de uma África do Sul aberta e finalmente a caminho da igualdade entre homens.


Legenda: Nelson Mandela e François Pienaar.

A presença de Mandela foi um verdadeiro sinal de esperança para milhões de africanos discriminados durante muito tempo. E por uma vez, política e desporto deram as mãos num sentido positivo. O Campeonato do Mundo de Rugby terá sido pioneiro, enquanto grande palco de uma grande modalidade, a uma demonstração de genuína reconciliação nacional.

Acontece que, depois da discriminação negativa, surge agora a chamada «discriminação positiva», e parecem existir quotas para a inclusão de africanos de pele negra nos Springboks. Pela minha parte creio que se trata de uma forma pouco digna de garantir a participação de todos na equipa nacional, até porque são vários os jogadores negros que por mérito próprio chegaram ao topo do Rugby sul-africano.

Sobre o tema «O racismo no Rugby» procurarei escrever algo mais desenvolvido, até tendo em conta acontecimentos ocorridos no hemisfério sul no início dos anos 80. Material interessante, garanto a quem não conhece!

#8
Nova Zelândia volta a vencer!

Os All-Black asseguraram há alguns minutos nova vitória no Tri Nations 2006. Desta feita, a equipa do feto prateado foi à casa dos Springboks bater o seu maior rival por 26-45... Alguma equipa do mundo terá poder para os parar?

#9
«Caso Mateus» torna-se numa «Palhaçada Mateus»

O «Caso Mateus» conheceu novos e surpreendentes (para os menos precavidos, como eu) episódios. Deixou de ser um caso e passou a número de circo… de mau gosto! As últimas 24 horas foram verdadeiramente inacreditáveis, com instâncias desportivas e civis a opinarem acerca de um processo que se arrasta desde pelo menos há 6 meses, quando Académica e Vitória de Setúbal apresentaram as primeiras queixas sobre a utilização ilegal do jogador Mateus. E agora há também o Leixões que se juntou à «Palhaçada Mateus» para aumentar a confusão.

O futebol no seu «melhor»…

Os efeitos de tudo isto para o Belenenses (clube e não apenas SAD para o futebol profissional) são devastadores. Naturalmente que sendo o futebol a modalidade rainha do clube, toda a estratégia desportiva azul fica condicionada por esta verdadeira palhaçada.

Sobre o tema não escreverei mais até que tudo esteja cabalmente esclarecido.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Últimas da Selecção

Levantar ferro rumo ao Mundial

A Selecção Nacional de râguebi viveu, ontem, uma experiência diferente, trocando os relvados por embarcações e rumarem ao Atlântico, onde puderam assistir a uma das regatas da sexta edição do Troféu Quebramar/Chrysler, ao largo de Cascais.

Em ambiente propício ao relaxamento, jogadores e corpo técnico aproveitaram bem a tarde a bordo e, durante um passeio pelo meio da regata, onde puderam assistir a várias manobras dos veleiros participantes, recordaram alguns dos momentos mais divertidos das viagens da temporada que findou, descomprimindo dos quatro treinos duríssimos realizados nos dias anteriores.

Contudo e como o tempo é escasso, Tomaz Morais e Daniel Hourcade (seleccionador adjunto) aproveitaram a pausa para ajustarem os detalhes do estágio deste fim-de-semana no Algarve.

E, a nova sessão não vai ficar atrás, em dureza, das já realizadas, estando os técnicos empenhados em elevar os índices físicos da equipa – com muitas cargas –, na evolução do sistema de jogo e, por fim, de novo momento de relaxamento, desta vez com um torneio de râguebi de praia entre os vários grupos da selecção.

Tomaz Morais, seleccionador nacional
“Forma de descomprimir”

O técnico nacional, Tomaz Morais, foi um dos incentivadores da presença dos jogadores neste passeio ao interior da regata Quebramar/Chrysler, proporcionando aos atletas uma boa forma de descomprimir de uma semana de trabalho muito dura e, ao mesmo tempo, mentalizarem-se para um pequeno estágio, durante o fim-de-semana, ainda mais exigente, como referiu: “Estamos numa fase em que não temos tempo a perder, os desafios que se aproximam são grandes e temos de estar bem preparados. Na Argentina vamos defrontar duas selecções regionais que coincidem com as nacionais – Buenos Aires é quase a selecção A e Rosário fornece a equipa de sevens que anda no circuito mundial”.


Tomáz Morais o 2º a contar da direita
(Foto: Site da FPR)

Vasco Uva, capitão da selecção
"Ganhámos visibilidade"

O terceira linha centro e capitão da equipa foi um dos jogadores que mais se destacaram ao longo de uma época particularmente difícil. Incansável nos “combates” em campo, ainda arranja tempo para comandar e incentivar os companheiros. Sobre a participação na regata referiu: “Foi engraçado e interessante porque a ideia partiu de um dos patrocinadores e vem dar visibilidade à selecção numa fase de apuramento para o Mundial”.


Vasco Uva
(Créditos: Site do GGDireito)

José Pinto, médio de formação
“Relaxar e reforçar espírito”

O médio de formação José Pinto, um dos mais influentes jogadores da selecção considerou esta participação “muito importante para a equipa relaxar um pouca da pesada sessão de treinos da semana e ao mesmo tempo também serve para reforçar o espírito do grupo”. Mas o finalista de medicina também aproveitou para pensar no futuro que se avizinha: “Se formos apurados para o Mundial, o exame da especialidade vai ter de esperar”.


Fonte: Jornal O Jogo

Beach Rugby

Regresso ao tema do Beach Rugby da Foz do Arelho do passado dia 12.

Aqui ficam as fotos que ilustram mais um dia de vitórias azuis:
(Fotos gentilmente cedidas pelo Caldas Rugby Clube - Elvira Dowbley)











Resultados da prova masculina:

1º Belenenses
2º CDUL
3º Clube de Rugby do Técnico
4º Académica
5º Caldas Rugby Clube
6º Universidade de Aveiro
7º Agronomia vet's
8º Esc. Sup. Agrária de Coimbra
9º Cisneros
10º Belas Rugby Clube
11º Rugby Clube de Loulé
12º Rugby Clube de Elvas


Resultados da prova feminina:

1º Esc. Sup. Agrária de Coimbra
2º Clube de Rugby do Técnico
3º Rugby Clube de Loulé
4º Belas Rugby Clube
5º Cisneros

quinta-feira, agosto 24, 2006

Treinos Intensos

A Selecção Nacional de râguebi concluiu a segunda sessão de trabalhos de preparação da digressão à Argentina, a realizar já no início de Setembro com a qual a formação das quinas vai procurar atingir o pico de forma para defrontar a Itália e Rússia na fase de apuramento (Outubro) para o Mundial de França'2007. Na América do Sul os portugueses vão defrontar as selecções regionais de Buenos Aires e Rosário – as grandes fornecedoras dos Pumas – e ainda, em Montevideu, o Uruguai.

Nesta segunda semana de trabalhos, já com o grupo quase completo (com 32 jogadores, mas ainda com "baixas" no cinco da frente), Tomaz Morais optou por treinos separados para a componente física e para a parte técnica.

Terça e quarta de manhã, os "Lobos" foram submetidos a fortes cargas físicas enquanto, de tarde, apuraram o sistema de jogo (com destaque para a defesa) a implementar nesta fase decisiva que se aproxima. O forte empenhamento e a determinação demonstrada pelos jogadores deixaram o técnico bastante agradado: "Estamos a ir muito bem, a resposta dos jogadores é muito positiva e o espírito de grupo muito forte, o que permite encarar o trabalho com mais confiança".

A selecção parte, amanhã, para o Algarve onde vai realizar um curto estágio, mas ainda sem Gonçalo Malheiro, Luís Pissarra, Joaquim Ferreira e Rui Cordeiro.


Créditos: Site do GGDireito

Experiência no mar


Hoje, o grupo de trabalho vai ter uma actividade diferente e, de tarde, "levanta ferro" para uma pequena regata Quebramar/Chrysler ao largo de Cascais.

Convidada pela Quebramar, um dos patrocinadores das quinas, a selecção aceitou o desafio e "vai aproveitar um momento lúdico importante para fortalecer mais o espírito de grupo", salientou o seleccionador Tomaz Morais, que referiu, a propósito: "Foi um convite que surgiu num momento muito oportuno. É uma forma muito interessante para relaxar de dois dias de treinos muito duros, mas num ambiente muito propício ao fortalecimento do espírito de grupo, uma das características das regatas".

Fonte: Jornal O Jogo

Jogo «a feijões»… ou duelo de titãs?

Com o título 2006 do Tri Nations entregue aos All-Blacks, aliás de forma justíssima, a equipa de Graham Henry desloca-se ao terreno do seu maior rival de sempre – os Springboks – sem a pressão de precisar de vitórias para arrecadar a taça… Todavia os jogos entre as duas nações nunca são a feijões, e depois de terem vencido os sul-africanos em casa, os All-Blacks não quererão deixar de surpreender os seus opositores no seu próprio terreno.

Os jogos entre as duas nações nunca foram meros encontros de amigos. Neozelandeses e sul-africanos são de facto as duas grandes nações rugby do hemisfério sul, e muito provavelmente os dois países mais poderosos do mundo oval. Eis um resumo estatístico dos encontros entre os dois XV’s (desde 1903):

- 68 jogos disputados
- 37 vitórias para a Nova Zelândia
- 28 vitórias para a África do Sul
- 3 empates

A história beneficia, ainda que de forma ligeira, os homens de negro… mas se olharmos para os últimos resultados verificamos que a última vitória dos All-Black nas terras altas da África do Sul aconteceu há 3 anos, a 8 de Novembro de 2003.

As duas nações disputam também, dentro do Tri Nations, uma Taça: a Liberty. Ambos os países quererão guardar o troféu na sua sede, e os sul-africanos (que estão a realizar um Tri-Nations para esquecer, durante o qual averbaram uma pesadíssima derrota frente aos australianos, na terra dos cangurus) jogarão com tudo.

Do lado dos Kiwis é sabido que, não obstante a permanência de Richie McCaw no XV, Henry aproveitará para fazer algumas alterações, fazendo regressar à equipa atletas recuperados de lesões – como o médio-formação dos Hurricanes Piri Weepu – e rodando atletas menos utilizados, em dois jogos que serão tudo menos fáceis.

Quem levará a melhor?... É pergunta para encontrar apenas resposta depois da jornada dupla que se avizinha.

Não ao Kapa o Pongo



Bernard Laporte, técnico da Seleção Francesa de Rugby, somou-se à lista dos que são contra ao Kapa o Pango, o novo haka dos All Blacks.

Laporte expressou que o ritual que termina com o gesto de cortar a garganta (ver foto) não será bem-vinda em França nos encontros de Novembro.

"Não é uma boa promoção para o desporto"

Nova Zelândia visitará os gauleses na última rodada internacional da IRB em duas partidas que, para muitos, será uma final antecipada do Mundial de França 2007.

quarta-feira, agosto 23, 2006

William Webb Ellis

Com vista à promoção do Mundial 2007, que se disputará em França, foi homenageado no passado dia 17 o "criador" do Rugby. Cerca de 50 pessoas acederam ao convite e deslocaram-se ao tumulo de William Webb Ellis, em Menton (França), onde se colocou o troféu com o seu nome. Entre os assistentes estáva Tina Avis, Presidente da cidade de Rugby.


William Webb Ellis e Rugby World Cup Trophy

O «Caso Mateus», o Futebol e o Rugby

Tinha previsto publicar aqui e hoje um texto dedicado à história dos mundiais de rugby, com especial destaque para a sua 1ª edição, disputada na Nova Zelândia/Austrália, em 1987. Mas os acontecimentos recentes, relacionados com a resolução definitiva do chamado «Caso Mateus», mudaram-me os planos, e este Blog dedicado ao Rugby belenense conhecerá hoje mais um texto dedicado ao desporto, num contexto mais amplo.

O essencial do «Caso Mateus»: o Belenenses (tal como a Académica e o Vitória de Setúbal) protestou junto das entidades que tutelam o futebol nacional irregularidades de secretaria cometidas pelo Gil Vicente. Estas irregularidades (leia-se, ilegalidades) valeram ao clube de Barcelos vantagem competitiva face aos outros emblemas da I Liga, o que acabou por ser reconhecido pelo próprio clube nortenho, já em fase de «desespero». Após queixas e recursos, obstrução à justiça e manobras de bastidores, a LPFP e a FPF deram razão ao Belenenses, que permanece na «1ª divisão».

Não vou aqui discorrer acerca de questões legais/processuais que não domino. Aliás, quem lê sobre desporto, e nomeadamente sobre futebol, já estará cansado de levar com o «Caso Mateus». É tempo de seguir em frente… mas não podemos deixar de aprender com o que se passou, e tirar algumas ilações relativamente ao significado desta decisão.

Primeira conclusão: pela primeira vez, e dentro do «mafioso» contexto futebolístico, o crime não compensou. Só por isso, este «Caso Mateus» é positivo. Não se tratou de uma permanência na secretaria, mas antes da reposição da legalidade. Creio que todos – excepção feita aos desesperados dirigentes gilistas – já perceberam que o desfecho que se verificou era o único possível.

Depois, e embora esta não seja uma questão directamente ligada ao «Caso Mateus», trata-se da descida de um daqueles clubes «sanguessuga», que à semelhança de muitos outros desenvolvem a sua actividade desportiva profissional sem capacidade autónoma para isso. Ou seja, são clubes que vivem à conta dos dinheiros municipais, não tendo base de apoio popular (o Gil Vicente é um clube insignificante, na sua dimensão associativa) nem receitas próprias que lhes permitam manter – de forma sustentada – equipas de competição ao mais alto nível do futebol profissional.

Os municípios, sem estratégia de desenvolvimento desportivo, injectam dinheiro nestes autênticos sorvedouros de dinheiro. Em Barcelos, por exemplo, construiu-se um Estádio municipal cuja função é, no fundamental, albergar a equipa do Gil Vicente, sem custos para a mesma. Não tem pista de atletismo, nem se trata de um equipamento ao serviço do desporto no concelho. É uma benesse da Câmara ao emblema local, para uso da sua equipa profissional.

Quem fica «a ver navios» são as outras modalidades – Rugby incluído – cujos equipamentos rareiam, ou quando existentes são de má qualidade… Quantas dezenas de piscinas municipais, construídas ao longo dos anos em múltiplos municípios, permitem a prática competitiva e o treino da natação e do Pólo-Aquático? Poucas… muito poucas. O investimento é canalizado para os relvados, e estes são de uso exclusivo da malta da bola… redonda!

O país encolhe os ombros e vai assistindo a esta vergonha. Clubes como o Gil Vicente – para não referir os escandalosos casos dos emblemas madeirenses e de outros que lhes seguem o exemplo – matam o desporto. Alimentam a falta de estratégia dos municípios, cujos dirigentes políticos são, não raro, dirigentes do futebol. É a realidade lusa…

O Rugby continua entrincheirado em Lisboa, onde meia-dúzia de campos vão servindo a meia-dúzia de equipas existentes. O «Plano Estratégico» – que é mais uma enumeração de objectivos que de um conjunto de medidas concretas – é (quase) omisso relativamente à mais do que necessária relação entre a FPR e as autarquias. Poucos clubes sobrevivem fora de Lisboa, e a formação que neles se faz é fortemente condicionada pela falta de meios. O dinheiro, que é afinal aquilo que faz girar a terra (infelizmente…), está no centro da discussão, e se o futebol é um eucalipto no contexto desportivo nacional, estes clubes «sanguessuga» são em larga medida os responsáveis pelo bloqueio ao desenvolvimento de uma verdadeira estratégia desportiva nacional.

O «Caso Mateus» acabou. Deixou de ser caso e passou aos livros de história. Muitos apontarão o dedo ao Belém, acusando o clube do Restelo de ter «sobrevivido» à descida fora dos relvados. Esquecem-se que quem beneficiou de ilegalidades de secretaria foi o Gil Vicente. Como referiu ontem, em Conferência de Imprensa, o presidente azul Cabral Ferreira, «fez-se justiça num caso de gritante atropelo aos regulamentos».

O Belenenses, um dos quatro grandes do desporto nacional, poderá agora encetar um mais do que necessário processo de modernização interna. Para isso é urgente enfrentar de forma decidida os focos internos de resistência à mudança. O Rugby, apontado como um modelo de boa gestão no clube do Restelo, poderá e deverá estar na «vanguarda» de um movimento de renovação do clube, nunca para desvirtuar o Belenenses histórico, mas para o trazer de volta!

O que é bom para o futebol azul é bom para o Rugby azul. O que é bom para o Rugby azul é bom para o Rugby nacional. O Belenenses enfrentou, de forma decidida e pela primeira vez em muitos anos, a verdadeira máfia que comanda o futebol (que para muitos é a modalidade única em Portugal). E ganhou a batalha! A ver vamos que factura terá de pagar. Continuemos a enfrentar os podres poderes instituídos… E os sócios regressarão. Mais do que a vitória de domingo ou o penalty não assinalado, o Belém precisa de fazer ressuscitar a sua alma e a sua mística. Para mim, reside na sua secção de Rugby um bastião desse sentimento e dessa semente, plantada por Artur José Pereira, em 1919.

Ao Rugby, como um todo, cabe também enfrentar o futebol podre dos clubes sanguessuga, exigir igualdade de tratamento, disseminar-se pelo país, dar a oportunidade aos nossos miúdos alentejanos, algarvios, transmontanos ou beirões de pegar na bola com as mãos e iniciar «um ensaio para a vida». Será que a FPR está disposta a «comprar» essa guerra?

terça-feira, agosto 22, 2006

Breves

#1
Belém na Primeira

O Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol tomou esta terça-feira a decisão definitiva sobre o chamado «caso Mateus»: o Belenenses fica na Liga enquanto o Gil Vicente é despromovido à Liga de Honra.

Fonte: MaisFutebol

#2
Nova-Zelândia

Primeira-Ministra Neo-Zelandeza repudiou publicamente a placagem ilegal do australiano Lote Tuqiri ao capitão All-Black, Richie McCaw.

#3
À espera da AG

O rugby do Belenenses (e o português) está à espera da Assembleia Geral da FPR para preparar a nova época. A questão da Alteração de Escalões é a que condiciona mais os preparativos.

domingo, agosto 20, 2006

O desporto e o «contacto físico»

Existem múltiplas modalidades que implicam contacto físico entre atletas e equipas adversárias. Modalidades colectivas e individuais. O Rugby é uma delas, e no contexto das colectivas será, por ventura, das mais penosas desse ponto de vista. O jogo de Rugby é duro, não raras vezes violento.

As leis do jogo têm evoluído, no sentido de proteger e salvaguardar a segurança dos atletas. As «regras» tornaram-se mais complexas, o jogo ficou muitas vezes mais lento (noutras áreas tornou-se mais rápido!) e quem não está «por dentro» do Rugby não consegue, muitas vezes, entrar no jogo, percebê-lo.

Vem esta introdução a propósito do desporto e do contacto físico, nomeadamente acerca da forma como muitos atletas entendem a dimensão «contacto físico» no contexto das modalidades que praticam. Eu joguei pólo-aquático, modalidade que não ficará muito aquém do Rugby no que diz respeito ao contacto que implica entre adversários.

No «Pólo» o contacto existe, muito dele é legal, a maior parte dele «invisível» (porque subaquático) e ilegal. No Rugby é mais ou menos a mesma coisa. Acontece que essa dimensão ilegal do contacto deve ser por todos repudiada, severamente punida e desencorajada, desde os escalões de formação (especial neles...) até aos seniores.

Muitos miúdos (e graúdos) persistem em ver o contacto físico como o objectivo da modalidade. É como se o Rugby fosse, na sua essência, uma modalidade em que o contacto fosse o objectivo. Ora, não é assim. O objectivo é defender com eficácia, conquistar a bola e obter pontos, de preferência através de ensaios. O contacto físico é apenas um meio (inevitável e constante, ao longo do jogo) de concretizar os objectivos anteriormente referidos.

Incentivar miúdos a pisar, a eleijar, a jogar de forma «suja» é... desvirtuar a própria mentalidade da prática desportiva em geral e do Rugby em particular. Trata-se de um acto de irresponsabilidade, que a prazo se paga com seniores com maus instintos, que «castigam» o adversário da pior forma, e que podem prejudicar seriamente as suas equipas, com atitudes que (embora ilegais) se tornaram para si meras rotinas.

O problema não é exclusivamente nacional, embora seja o contexto português aquele que me interessa. Todavia, em Portugal (como noutras partes do mundo), encolhe-se os ombros e os problemas não são resolvidos com a rapidez e eficácia que se exigia. Assim, nos jogos de juvenis os rucks continuam a ser o lugar da «pisadela», nas mêlées faz-se de tudo e em vez de se disfrutar o jogo, os nossos «miúdos» acabam por transformar a prática desportiva em verdadeiras batalhas. Na formação, ainda mais que nos seniores, muitos jogos deveriam terminar com menos de 30 jogadores em campo.

Deixo este pequeno apontamento, para reflexão de todos.

Aproveito ainda este texto para referir o caso da jornada deste fim-de-semana do Tri Nations, durante a qual a Nova Zelândia garantiu (e bem!) mais um título máximo do Hemisfério Sul. O ponta australiano Lote Tuqiri, um dos melhores do mundo na sua posição, placou com violência (e de forma absolutamente ilegal) o capitão All-Black, Richie McCaw. A entidade que tutela a competição agiu com rapidez e já o suspendeu por 11 semanas, afastando-o dos jogos que restam aos Wallabies neste Tri Nations.


Legenda: Tiquri executa uma «spear-tackle» a McCaw. Créditos: Rugby Heaven.

Trata-se de um exemplo de punição exemplar, ainda que nestes casos (e aqui refiro-me à formação, ao nível nacional) seja sempre preferível apostar na prevenção. Não posso todavia deixar de lembrar que também os All-Blacks protagonigaram momentos semelhantes no último ano, nomeadamente no primeiro jogo contra os British & Irish Lions (no Verão de 2005) e na partida em Dublin, contra a Irlanda (Novembro de 2005). Nenhum dos atletas envolvidos foi punido... e pese embora a organização dos encontros não seja da responsabilidade da mesma entidade, trata-se de um evidente caso ao qual se aplica a expressão «dois pesos e duas medidas».

sábado, agosto 19, 2006

Desilusão

Estou extremamente desiludido não sei com quem!

Esta tarde saí da praia e desloquei-me até Lisboa, mais precisamente até Monsanto, e qual não foi o meu espanto quando ... não vi ninguém.

Depois de ler a entrevista do Seleccionador Nacional, Tomáz Morais, ao Jornal O Jogo públicada esta 5ª:

"Vamos continuar a treinar com bola, não temos tempo a perder. Vamos ter um jogo-treino, com uma equipa profissional inglesa, o Esher, já no sábado (17h00 em Monsanto) e queremos estar perto do nosso nível, com râguebi de qualidade. Até lá vamos trabalhar muito para fortalecer o espírito do grupo e melhorar o nosso sistema de jogo. Não há tempo a perder".

Para ler a entrevista na integra clique aqui

Não deixa dúvidas a entrevista, penso eu!

De qualquer maneira passei também pelo Estádio Nacional e pelo Estádio Universitário, mas não encontrei nem a Selecção nem a equipa do Esher RFC. Tenho pena que este seja o estado do Rugby em Portugal.

Perdi um dia de férias para (não) ir ver a Selecção!

sexta-feira, agosto 18, 2006

"Trabalho mais intenso"

A Selecção Nacional continua a trabalhar em ritmo forçado, tudo para conseguir estar ao melhor nível já amanhã, para o encontro com os ingleses do Esher, uma equipa profissional.


Diogo Mateus no jogo Portugal vs Itália
18 Junho 2006
(Fonte: Site Ofícial do Direito)


Ainda com muitas baixas - por lesão, motivos profissionais e ainda alguns atletas que terminaram a temporada bastante mais tarde -, o grupo de trabalho está a reagir bem às cargas diárias de forte componente física mas onde não tem faltado a bola, de forma a recuperar rotinas.

Ontem, Tomaz Morais deu continuidade ao trabalho iniciado na quarta-feira, como adiantou: "Trabalhamos a parte física e a resistência - com e sem bola. Insistimos no passe e recepção e já introduzimos o contacto, a posse da bola e algumas alterações que queremos introduzir para conservarmos a bola no contacto. O grupo está bem, com muita entrega e disponibilidade".

Fonte: Jornal o Jogo

Vai uma cervejinha no intervalo?...

Se o consumo de alcoól não se recomenda a atletas de Rugby - sejam profissionais ou amadores, seniores ou juvenis - já no que respeita aos espectadores que por esse mundo fora se deslocam aos campos para ver partidas desta magífica qualidade, não há nada como uma cervejinha bem gelada, enquanto se comenta um ensaio, a exibição da equipa ou o pontapé aos postes metido mesmo antes do intervalo.

Ora bem, sendo a Premiership do Rugby inglês patrocinada por uma muito conhecida marca de cerveja - a Guiness - é interessante que na edição de Setembro da «Rugby World» - e numa notícia de três linhas - se dê conta de uma alteração no tempo dos intervalos nas partidas do principal campeonato de rugby de clubes do mundo: em vez dos 10 minutos regulamentares (creio que é isso que está escrito nas «leis do jogo»), na Premiership os intervalos passam a ter a duração de 15 minutos, permitindo assim aos adeptos presentes nos estádios deslocarem-se aos bares para beber... cerveja Guiness!

É a verdadeira interferência do negócio no jogo. Todavia, sem patrocinadores como a Guiness dificilmente o Rugby teria hoje a dimensão profissional e de alto nível desportivo, organizativo e comercial que tem...

Onde se encontra o ponto de equilíbrio entre as leis do jogo e as questões comerciais que começam a nele interferir, um pouco por todo o mundo? De férias, algures numa praia do Oeste, fica a pergunta...

quinta-feira, agosto 17, 2006

Mais uma ... vitória

O belenenses continua a liderar no areal, arrecadando mais uma vitória em Beach Rugby. Num torneio com uma excelente organização, na Foz do Arelho a equipa azul alcançou a vitória depois dos seguintes jogos:

Fase de Classificação
Belenenses 9 – Belas 0
Belenenses 4 – ESAC 0

Meia-final
Belenenses 7 – Académica 0

Final
Belenenses 2 – CDUL 2

Tendo-se verificado um empate na final do Torneio teve que se proceder a um desempate com situações de 1x1. O resultado do desempate foi 3-2.


David Mateus no Beach RugbyCup 06 em Oeiras

Jogadores da Equipa do Belenenses:

- David Mateus

- Diogo Pinheiro

- Salvador Cunha

- Sebastião Cunha

- Cristian

- Adérito Esteves (Agronomia)

- Gonçalo Lucena

- Diogo Castro

Portugal vs Esher RFC

Sabia que a Selecção Portuguesa de Rugby vai defrontar o Esher Rugby Football Club no sábado em Monsanto?

Não… a resposta já era esperada.

O site da FPR nem uma pequena referência tem a este jogo nem ao regresso ao trabalho da Selecção Nacional. Será normal? Será que a Federação está toda de férias? Seria uma desculpa plausível se não conhecêssemos a realidade do Rugby Português.

Esta situação não é única, já no passado mês de Maio Tomáz Morais, Seleccionador Nacional, confessava que tinha medo de ver mais adeptos ucranianos do que portugueses no estádio do Estoril. Sobre o assunto leia o artigo escrito, pelo Rui Vasco Silva, antes do Portugal-Ucrânia aqui.


Estado das bancadas no jogo Portugal - Ucrânia (13 Maio 2006)


De qualquer maneira fica o convite:

Sábado dia 19 de Agosto às 17h em Monsanto

Portugal vs Esher RFC



Foto: Site do Esher RFC

Regresso ao Trabalho...

A Selecção Nacional de râguebi regressou, ontem, ao trabalho, árduo, de preparação da digressão à Argentina onde o seleccionador nacional, Tomaz Morais, vai tentar apurar ao máximo a equipa para a próxima fase de qualificação do Mundial de França'2007, a disputar já em Outubro.


Divid Penalva no jogo Portugal-Ucrânia 13 de Maio 2006
(Foto de Rui Vasco)


No regresso ao trabalho estiveram presentes 22 jogadores (as ausências prendem-se sobretudo com lesões e motivos profissionais) que mostraram bom apuro físico mas alguns problemas técnicos, considerados normais por Tomaz Morais que referiu: "Estamos agradados com este início antecipado, os jogadores mostraram intenção e querem trabalhar para atingir os objectivos traçados. Este foi um treino com duas vertentes - técnica e física - mas sempre com bola e ainda trabalhamos o passe e a recepção, para afinar a destreza individual".

Finalizando, disse ainda: "Vamos continuar a treinar com bola, não temos tempo a perder. Vamos ter um jogo-treino, com uma equipa profissional inglesa, o Esher, já no sábado (17h00 em Monsanto) e queremos estar perto do nosso nível, com râguebi de qualidade. Até lá vamos trabalhar muito para fortalecer o espírito do grupo e melhorar o nosso sistema de jogo. Não há tempo a perder".

Fonte: O Jogo

quarta-feira, agosto 16, 2006

Atleta ou «apenas praticante»? - II

Este pequeno artigo vem na continuação de um outro aqui publicado há dias, que procurava levar os jovens jogadores belenenses a pensar um pouco acerca dos seus comportamentos extra-Rugby e na forma como eles se podem (pela positiva ou pela negativa) reflectir num melhor ou pior desempenho no jogo.

Ora, hoje é tempo de fazer chegar a esses mesmos jogadores alguns conselhos, retirados de uma edição já antiga da revista «England Rugby», acerca do que se deve e daquilo que não se deve fazer, quando se procura melhorar de forma consistente a qualidade como jogador de Rugby. Fiz alguns acrescentos que me pareceram úteis e que não desvirtuam em nada os conselhos dos especialistas que elaboraram o artigo já referido.

O que se deve fazer?

- Dar especial atenção ao treino de força, de forma programada (nunca sem pensar nas consequências ou sem planificação), por forma a prevenir lesões e melhorar de forma consistente da forma física;

- Descansar! E descansar não é apenas dormir. Um jogador de Rugby deve recuperar de forma conveniente após esforços físicos violentos, como são um jogo e um treino. Descansar o corpo e a cabeça, adoptando um estilo de vida calmo, livre de stress (quando possível);

- Garantir a hidratação do corpo durante o dia. Beber água e não apenas café ou chá (este exemplo do chá aplica-se particularmente aos ingleses). O jogador deve transportar consigo uma garrafa pessoal para os treinos, pois a desidratação - mesmo que baixa - afecta muito os níveis físicos e a produção do atleta em treino e no jogo;

- Treinar a 100%, quer no plano físico, quer no plano da concentração. Jogadores que se poupam nos treinos acabam por pagar caro nos jogos. Devem ser os técnicos a preocupar-se com a carga física e com o seu efeitos no atletas. Quanto aos jogadores, cabe-lhes a tarefa de executar o treino com máximo empenho;

- Fazer recuperação activa, sempre que possível. Este tipo de trabalho pode ser garantido através de práticas simples, como as massagens, os banhos gelados, etc. O trabalho de recuperação activa deverá ser discutido por casa atleta com o médico que acompanha a sua equipa;

- Manter o equipamente limpo, ou seja, em boas condições de higiene, e em bom estado. Alguns adereços de segurança utilizados pelos jogadores de Rugby devem estar sempre em perfeitas condições, sob pena de em vez de prevenirem lesões serem responsáveis por elas;

- Fazer uma dieta saudável, ou seja, realizar refeições equilibradas, que garantam os níveis adequados de proteínas, hidratos de carbono e oléos/gorduras saudáveis.

- O jogador de Rugby deve estar atento à sua saúde cardiovascular, promovendo-a. Os técnicos devem adequar o treino às exigências físicas dos jogadores, tornando-os o mais completos possíveis. A coordenação entre equipas técnicas e médicos é cada vez mais necessária;

- O jogador deve preocupar-se em praticar os movimentos básicos do jogo, já que estar em boa forma física mas não saber placar ou passar não é desejável. Este trabalho pode ser feito em treino, mas também em casa, com colegas e até amigos. Ensinar um amigo a passar uma bola de Rugby tem três ventagens: o próprio jogador está a treinar o passe; está a treinar a recepção (muitas vezes em más condições, pois o amigo não domina a técnica); e está a iniciar o amigo como amante da modalidade!

- Planear a semana, e não deixar o Rugby interferir na vida pessoal e profissional, nem secundarizar o Rugby perante tudo. É preciso criar equilibrios, sob pena de se perder ou o Rugby, ou os amigos!

O que não se deve fazer?

- Não se deve beber alcoól no dia anterior ao jogo. O alcoól desidrata o corpo e torna mais lenta a sua capacidade de reacção. Além disso, aumenta o risco de lesão;

- Não se deve abusar do alcoól após o jogo. O terceiro tempo pode e deve envolver socialização com os colegas e adversários, e não é «proibído» beber uma cerveja!... Mas beber em excesso pode afectar a recuperação do jogador durante dias, e ter consequências negativas ao nível do metabolismo. Beber quando se está lesionado acaba por tornar mais lenta a recuperação;

- Não se deve faltar aos treinos. O programa de treinos tem um objectivo, e quando um jogador falta a uma sessão está a boicotar o trabalho do grupo em que se encontra inserido e os objectivos do treinador para essa mesma sessão. Além disso, não treinar com regularidade retira capacidade ao corpo;

- O jogador de Rugby não deve fazer trabalho fisíco como se fosse um culturista. Esse tipo de trino pode tornar o jogador maior e mais forte, mas não adequa o seu corpo às exigências do Rugby;

- O jogador de Rugby também não deve treinar como um «maratonista». O seu treino específico deve responder às necessidades do jogo, que envolvem mudanças de velocidade constantes e sprints seguidos de pausas;

- Não se devem «saltar» refeições. O corpo necessidades de alimentos, tal como os automóveis precisam de gasolina. Dietas irregulares podem influenciar negativamente o metabolismo dos atletas, provocar alterações bruscas de peso/massa.

- Não se deve parar de realizar trabalho durante as lesões. Um atleta lesionado terá sempre a possibilidade de treinar técnicas ou pontos fracos, sem que isso afecte a sua recuperação. O treino nesta fase deverá ser sempre acompanhado por médicos do clube;

- Não se deve deixar que os períodos de paragem (como o Natal) sejam pretexto para perda de forma física. Disfrutar dos períodos de paragem de competições é saudável, mas os verdadeiros atletas mantêm as suas rotinas saudáveis, a todos os níveis.

- O jogador não se deve tornar demasiado obsessivo com o Rugby e com o sucesso. Existem dimensões da vida onde o sucesso é vital... No desporto não. Vital é saber lidar tanto com a vitória como com a derrota. Ainda que desejemos e lutemos sempre a primeira!

Bibliografia:

- England Rugby, n.º15 (pág. 106 a 108)

terça-feira, agosto 15, 2006

Gonçalo Uva

O Grupo Desportivo de Direito noticiou através do seu site que Gonçalo Uva vai integrar a equipa de sub-23 do Montpellier RC.



Gonçalo Uva é jogador internacional por portugal e joga na posição de 2ª linha.


Foto: Montpellier

segunda-feira, agosto 14, 2006

Perspectivas para 2006/2007 - as Escolas

A nova época é mais uma época de evolução das Escolas de Rugby do Belenenses. Vamos poder continuar a ver todas as terças e sextas o relvado nº2 do estádio do Restelo com mais de 100 miúdos a aprender a “placar” e passar bolas como ninguém. Para além de uma escola de Rugby o Belém é uma verdadeira escola de viva.


Foto: Blog Escolas de Rugby do Belenenses

Estão preparadas várias novidades como equipamentos novos, material novo e mais organização administrativa. A aposta é também na continuidade, nomeadamente na permanência dos 3 treinadores principais:

Infantis:
Michel Cruz acumula a liderança dos Juvenis com a dos Infantis. Tem os cursos de Treinadores Nível 1 e 2 da FPR, é um formador de jovens nato!

Benjamins:
Gonçalo Melo é formado em Educação Física. Para além de Treinador do escalão de Benjamins continua também como Director Técnica das Escolas.


Gonçalo Melo


Bambis:
Afonso Nogueira tem o curso de Treinador Nível 1 da FPR e está a frequentar o Nível 2.


Foto: Blog Escolas de Rugby do Belenenses

Esta é a constituição da equipa técnica para a próxima época, se não for diferida a proposta de alteração dos Escalões etários feita pela FPR.

Mais uma vez repudio de forma veemente a proposta lançada pela FPR, pelas razões já conhecidas (se não conhece clique aqui). Inconcebível é também a altura em que é conhecida, neste momento os clubes já têm a época toda planeada.

Wilkinson de volta

Os adeptos ingleses poderão ter uma luz ao fundo do túnel com o anúncio do regresso de Jonny Wilkinson, o obreiro da vitória da "Rosa" na final da Taça do Mundo de 2003, frente à Austrália, ao apontar um pontapé de ressalto já em fase de prolongamento.



Curiosamente, a Inglaterra depois de ter atingido o topo, conquistando o primeiro título mundial para o Hemisfério Norte, caiu em "desgraça" e tem sofrido humilhação atrás de humilhação, em parte pela ausência de "Wilko", que desde a final de Sidney nunca mais vestiu a camisola inglesa, devido a várias lesões que se arrastaram ao longo de dois anos.

Ainda muito cautelosos quanto ao regresso do médio de abertura, o certo é que a esperança renasceu para a formação da "Rosa", que tem em Wilkinson um dos jogadores mais influentes, muito forte a defender e excelente a lançar os ataques da sua linha de três-quartos, sem esquecer que é exímio no jogo ao pé.

Fonte: O Jogo

sábado, agosto 12, 2006

Perspectivas para 2006/07 - Os Juvenis

Num escalão onde o Belenenses já conquistou 7 Campeonatos Nacionais e umas tantas Taças de Portugal a próxima época promete vários momentos de bom Rugby.
Depois de se terem tornado Vice-Campeões Nacionais e terem alcançado o primeiro lugar da Taça de Portugal, tudo aponta para 3 caras no comando deste escalão: Pedro Gonçalves, Michel Cruz e João Miranda.


Foto da autoria de Rui Vasco Silva

Pedro Gonçalves já assinou contrato com o Belém e promete vestir a camisola Azul. Tem formação desportiva geral, e vários cursos específicos de Rugby.

Michel Cruz jogou em vários clubes franceses e também no Belenenses, teve também passagem pela Selecção Nacional Francesa Sub-20. É treinador há 9 anos no Belenenses, já conquistou inúmeros Campeonatos Nacionais de Iniciados, dois deles com João Miranda.


Michel Cruz

João Miranda, jogador, treinador e dirigente do clube há mais de 30 anos, conquistou recentemente um Campeonato, uma Taça e uma Super-Taça de Juvenis e o Campeonato Nacional de Juniores da época 2005/2006.

Leitura para férias...

Costumo aproveitar as férias para ler alguns livros para os quais não tive, durante o ano, oportunidade ou disposição. Este verão levo na bagagem dois volumes inteiramente dedicados ao Rugby, muito diferentes entre si, mas igualmente interessantes.

O primeiro é o livro «A History of the Rugby World Cup», com prefácio de John Eales, o carismático capião australiano que levantou a Taça do Mundo em 1999. O livro está já desactualizado nas fichas dos jogos que inclui (todos os jogos de todos os campeonatos disputados), pois foi publicado em 2003, antes da última edição da prova, na Austrália. Mas o essencial da informação mantém-se actual: a história da actual IRB, a transição do Rugby amador para o Rugby profissional e o processo de tomada de decisão de criação de uma prova aberta a todas as nações com federações nacionais de Rugby.



O segundo é francês, e chama-se «Les exploits du XV de France (1911-2002)». Trata-se de uma publicação muito bem ilustrada, e com resumo dos principais jogos disputados pelos gauleses entre o longíquo ano de 1911 e 2002. Um excelente livro, escrito do ponto de vista gaulês (claro), mas que recorda aos mais novos - como eu - que o Rugby fancês não nasceu ontem e que desde o início do século XX que os azuis se batem por um lugar de honra entre as nações rugby. Hoje são a melhor selecção europeia e a segunda mundial, no ranking da IRB.



Apesar do preço não ser muito convidativo, os dois livros estão disponíveis no mercado nacional, e para quem ainda não tem (ou ainda não leu) aconselho vivamente.

Nota: na bagagem levo ainda a Rugby World de Setembro (que já está nas bancas...), onde se encontram duas referências aos Lobos (a propósito da Nations Cup e do apuramento para o mundial) e um artigo de comparação entre o fair-play no futebol e no Rugby, com especial destaque para a equipa lusa da bola redonda (ainda lhes estamos atravessados na garganta... azar!).

sexta-feira, agosto 11, 2006

Perspectivas para 2006/07 - Os Juniores

O Belenenses tem as melhores escolas de Rugby do país, onde se formam centenas de miúdos no Rugby e também na vida.

Os Juniores têm o título de Campeão Nacional 2005/2006, e neste escalão estão depositadas muitas esperanças do Rugby do Belém e também Nacional. Em equipa Campeã não se mexe, e por isso permanece Sérgio Ferreira no seu comando.


Diogo Miranda prepara-se para chutar aos postes, fazendo o 31-28 que valeu ao Belenenses o título nacional de 2005/2006.

Sérgio Ferreira é um homem do meio, já passou por vários clubes portugueses e franceses, tem uma forma de ver o jogo diferente da filosofia do Belenenses, contudo foi com ele que ganhamos o Nacional. O ex-pilar da equipa Nacional, por muitos conhecido por “Caveira”, está frequentar o Curso de Treinadores Nível 2. Experiência e conhecimento não faltam ao técnico.


Sérgio Ferreira e Manuel Costa


De saída confirmada está João Miranda, para integrar a equipa técnica dos Juvenis Azuis. Ainda não é conhecido nenhum nome para o lugar de Treinador-Adjunto. Este lugar terá de ser ocupado necessariamente por um treinador especializado em “3 quartos”.

São vários os jogadores que alinharam nos jogos da Taça de Portugal Sénior e que vão permanecer nos Juniores, pelo menos no inicio da época: Carlos Gaspar, Duarte Bravo, Pedro Teixeira, Miguel Onofre e Diogo Miranda.

No plantel as escolhas são muitas e boas, tudo “prata da casa”, onde marcam presença os jogadores que transitam do Juvenis. O destaque é para os jogadores que nasceram no ano de 1988 que se sagraram Tetra-Campeões Nacionais esta época.

Esperam-se grandes exibições!

Uma Ordem de Trabalhos irreal...

Segundo o site oficial da FPR, uma AG extraordinária será realizada no próximo dia 28 de Agosto, para discussão de uma série de importantes assuntos ligados ao Rugby nacional. A AG terá sido, e também de acordo com a FPR, marcada a pedido de alguns clubes. A saber: GD Direito, AEIS Agronomia, SL Benfica, CF Belenenses e CDUL.

Da Ordem de Trabalhos, e citando a convocatória assinada pelo Dr.Vasco Lynce de Faria, presidente da Assembleia Geral, fazem parte os seguintes temas:

1 - Proposta de alteração dos Escalões Etários em conformidade com a FIRA/AER, e consequente revogação do nº. 1 do artº. 21º do RGC;

2 - Proposta de fixação em 31 de Dezembro de cada época desportiva a data limite para inscrição de jogadores seniores, portugueses, equiparados ou estrangeiros e consequente revogação das disposições contrárias em vigor;

3 - Proposta no sentido da entrada em vigor na presente época das deliberações tomadas nos pontos 1. e 2. da Ordem de Trabalhos, considerando-se, assim e naquelas matérias, suspensa a aplicação da última parte do nº. 1 do artº. 62º do RGC;

4 - Proposta de alteração da fórmula competitiva da Fase Final do Campeonato Nacional da Divisão de Honra – escalão seniores, com efeitos a partir da época 2007/2008:

a) – Relativamente à definição do Campeonato Nacional («Final Four» para os 4 primeiros da fase preliminar):

- A disputa continua a ser feita recorrendo ao sistema de meias-finais e final, só que haverá duas meias-finais entre cada uma das equipas que se classificaram para esta fase e não apenas uma, como nas épocas de 2005/2006 e 2006/2007, disputando-se os jogos da forma seguinte:

4º Classificado da Fase Preliminar vs 1º Classificado da Fase Preliminar e
3º Classificado da Fase Preliminar vs 2º Classificado da fase Preliminar
A primeira meia-final disputa-se nos campos dos 4º e 3º Classificados na Fase Preliminar;

b) – Relativamente à determinação da equipa que desce à Divisão inferior (1ª Divisão): Não haverá «Final Four», pelo que descerá a equipa classificada em último lugar na Fase Preliminar;

5 - Proposta de Alteração da fórmula competitiva da Taça de Portugal (TP), com efeitos a partir da época 2007/2008:

a) – A TP deixará de se disputar como se verificou nas épocas de 2005/2006 e 2006/2007, adoptando, até aos oitavos de final (altura em que entrarão em competição os clubes da Divisão de Honra), uma fórmula competitiva regionalizada – Norte, Centro e Sul, se houver clubes inscritos em número suficiente ou, em caso contrário, v.g. Norte/Centro e Sul -, competindo à FPR o ordenamento do nome dos clubes que disputarão, em cada fase regional, a série respectiva;

b) – Cada jornada será só composta por um encontro, já que os jogos serão sempre a eliminar;

c) – Todos os jogos de cada uma das fases serão disputados, com exclusão da Final, no terreno do clube que disputa a Divisão inferior, no Campeonato Nacional; no caso de os dois contendores disputarem a mesma divisão, será realizado um sorteio sob a égide da FPR.


Abordar todos estes interessantes temas num só texto é coisa que não farei. Mas algumas dúvidas, que já me assaltavam mesmo antes de tomar conhecimento desta AG extraordinária, intensificam-se.

A primeira diz respeito ao ponto 1. Não contesto que há uma necessidade que defino como imperiosa que normalizar escalões de acordo com aqueles que se praticam ao nível internacional. Mas a questão que levantei há alguns dias continua sem resposta. Eu repito: de que forma a alteração dos actuais escalões - nomeadamenta a divisão dos Bambis em Bambis e Super-Bambis -, pode ajudar na formação de melhores jogadores de 1ª linha, como afirma a FPR?

A segunda, e para ir por partes, diz respeito ao ponto 2: acho muitíssimo bem que situações como aquela que aconteceu no ano passado, com a Académica a inscrever jogadores à pressa para garantir a permanência, não se repita. Mas não deverão existir situações de excepção? E porquê 31 de Dezembro, quando a Divisão de Honra se inicia tão tarde?

A terceira, e respeitando a OT da AG, não é um bocadinho precipitado (para não dizer completamente descabido) tomar a decisão de implementar em Setembro decisões de 28 de Agosto, quando as equipas já têm as épocas planificadas e o quadro de treinadores definido?

A quarta (esta sim, poderia ser implementada já em 2006/2007...): já que existe tanto unanimismo em torno deste modelo de disputa do título nacional (com o qual não concordo, ganhe quem ganhar!), porque não aplicar antes um sistema já proposto pelo presidente da equipa de Agronomia, com meias finais e final em jeito de play-off «à melhor de 3 ou de 5»? Porquê manter essa aberração - que apenas os argumentos comerciais suportam - de decidir toda uma temporada em 80 minutos? Não estamos na Nova Zelândia, onde a final das competições nacionais valem milhões aos clubes, em transmissões televisivas. Nem sequer estamos em Inglaterra, onde todas as jornadas há Rugby na TV. Aqui, no que se refere aos clubes, há apenas abandono. Porque não remediar esse abandono com mais verdade desportiva?

E já agora, sobre a descida, afirmo que estou de acordo com o «automatismo» da mesma, ao fim da 14ª jornada da fase regular. Mas se faz sentido para quem desce, porque é que não faz sentido para quem vence a prova? Argumentos comerciais - e nunca desportivos! - novamente?

A quinta, e saltando as alterações regulamentares sobre a Taça de Portugal, pergunto: porque é que o tema «arbitragem», um dos mais actuais e importantes do Rugby luso, está de fora da AG? Até parece que está tudo bem nessa matéria...

Desculpem o tom e a agressividade, mas com franqueza há coisas que me deixam perplexo. A Ordem de Trabalho desta Assembleia é uma delas. E os seus aparentes objectivos - como aquele de implementar em 2006/2007 uma decisão tomada a 28 de Agosto de 2006 - são verdadeiramente inacreditáveis.

Convocados Azuis

Tomáz Morais já deu a conhecer a lista dos convocados para iniciar o programa de treinos, com vista ao apuramento do Campeonato do Mundo.



Convocados Azuis:
- Christian Spachuk
- Manuel Mata Pereira
- Diogo Mateus
- David Mateus
- Sebastião Cunha
- João Uva
- Paulo Santos
- David Penalva
- Juan Murré

Carta ao Provedor do Telespectador

A RTP tem vindo a anunciar, com grande insistência, a nomeação de provedores do telespectador e do ouvinte (de rádio), serviço ao dispôr do cidadão anónimo e pagador dos impostos que alimentam, em larga medida, os canais que todos os dias emitem horas e horas de programação.

Ora, como estes serviços são mesmo para usar, e como não basta lamentarmos o mal que nos rodeia (é preciso actuar!), resolvi apresentar ao provedor do telespectador, Dr.Paquete de Oliveira, as minhas preocupações relativamente aos critérios para a transmissão de eventos desportivos via canais do serviço público de televisão.


Legenda: A transmissão de jogos dos «Lobos» contrasta com a ausência de jogos de clubes na TV. Porquê?

A carta já foi enviada, via site da RTP, mas como não prometi sigílo a ninguém aqui fica, para conhecimento de todos e, quem sabe, incentivo a que outros amantes do Rugby (ou de outras modalidades quase ignoradas) se dirijam a quem está lá para representar cada um de nós!

Eis a minha crítica:

Exmo. Senhor Provedor,

O assunto que me leva a contactá-lo prende-se com os critérios de transmissão de eventos desportivos nos dois canais públicos emitidos em sinal aberto (RTP1 e 2:) e com o meu desagrado, como telespectador, relativamente ao desiquilibrio no peso/tempo/importância atribuído a diferentes modalidades desportivas.

Os programas específicos de desporto têm evoluído nos últimos tempos, e seria injusto dizer que a RTP só se interessa pelo futebol. Mas é certo nem todas as modalidades apresentam semelhante peso na programação, nalguns casos de forma incompreensível.

Sabia o sr.Provedor que Portugal se sagrou campeão europeu de Rugby de Sete? Este facto não mereceu qualquer destaque na programação da TV pública, ao contrário do que aconteceu com resultado menos significativos, noutras modalidades mais mediáticas.

Apesar da transmissão de alguns jogos da selecção de Rugby de XV e de uma série de 8 episódios do magazine «Área de Ensaio», a 2: ignorou quase por completo o Rugby nacional de clubes, facto de dificulta a vida aos emblemas que tentam, em Portugal, formar mais e melhores jogadores. Aos patrocinadores, que rareiam numa modalidade como o Rugby, a transmissão de um jogo da sua equipa valerá uma época de apoios, o que significa mais dinheiro para formação, criação de infraestruturas e desenvolvimento da modalidade. Não para a contratação de estrelas estrangeiras.

Peço-lhe por isso que, através dos meios que tem ao seu dispôr, sensibilize o serviço público de televisão para a necessidade de dar maior visibilidade às competições nacionais das modalidades colectivas amadoras, como o Rugby. É que sem «mediatismo» não há apoios, sem apoios não há desenvolvimento e sem desenvolvimento... ouviremos esse mesmo serviço público lamentar a ausência de bons resultados nas competições internacionais disputados por Portugal.

Melhores cumprimentos
Rui Vasco Silva
Almada

quinta-feira, agosto 10, 2006

Mais árbitros em Portugal

Têm sido sucessivos os esforços levados a cabo pela FPR com vista ao aumento do número de praticantes da nossa modalidade. Existe um aumento efectivo de jogadores, mas … este aumento tem que ser acompanhado pelo acréscimo de infra-estruturas, treinadores, técnicos … e árbitros.



É um facto que ser árbitro significa ter um papel nada fácil, com exigências conhecidas por todos. Contudo está nas nossas mãos receber de uma forma mais cordial e cordata estes intervenientes no jogo, pois sem eles é mesmo mais difícil jogar.

Para além disso é urgente aumentar o número de árbitros em Portugal. Mas para isso é necessário que a FPR organize um curso de formação de árbitros. Faço então um apelo a todos (jogadores, treinadores, dirigentes, adeptos, etc) para se inscreverem no dito curso, nem que seja para conhecerem melhor as regras (Contem com a minha presença no curso!)

Sobre este assunto consultem um artigo recente publicado no Blog Rugby do Belém em REVISTA aqui.

Atleta ou «apenas praticante»? - I

Escrevi por diversas vezes no Blog Rugby Azul que nunca fui jogador de Rugby. Acrescentei outras tantas que fui nadador internacional e jogador de pólo-aquático também internacional, na categoria de juniores. Joguei duas finais do campeonato nacional da 1ª Divisão e fui campeão de juvenis e juniores pela minha equipa de então, o Algés. Treinava pelo menos 10 vezes por semana (duas vezes por dia), num total de 5 horas diárias. Se o escrevo é para que não se pense que estou a falar sem conhecimento de causa, ou que «exigo» aos outros aqui que nunca fiz.

Hoje, a crónica é dedicada à disciplina física e mental (as quais aparecem muitas vezes combinadas) no Rugby. Já o havia feito em artigo do antigo Blog Rugby Azul, mas repito-o, inspirado por um comentário pertinente publicado no novo fórum do site oficial do Direito. E por muito que custe ler «à rapaziada» (azul e não só) que por aqui passa, vamos lá então ao que interessa...

O desporto é uma escola de virtudes. O Rugby também o é. Mas para quem pretende fazer do desporto mais do que uma fonte de lazer - ou seja, para quem quer praticar desporto de competição - ele exige esforços adicionais, associados a hábitos de vida compatíveis com os níveis físicos e mentais que se queiram atingir.

Em Portugal, o Rugby está a progredir, e a formação de novos talentos tem acontecido a bom ritmo. Creio todavia que poderia ir-se muito (muitíssimo...) mais longe, a começar pela formação de uma nova consciência acerca do que é ser-se de facto um atleta, por oposição ao mero praticante de uma modalidade. Ser-se atleta é assumir que se quer progredir verdadeiramente, colocando por isso em segundo plano dimensões da vida que para outros (amigos, familiares e até colegas de equipa) são normais. Ser-se mero praticante é tão só e apenas assumir que se joga para «entreter». Pode ser interessante, mas não ganha campeonatos!


Legenda: Escolinhas de Rugby do Belenenses.

O Rugby português ainda convive de forma pacífica com o consumo frequente de substâncias que deveriam ser absolutamente proibidas aos atletas, dos juvenis aos seniores. Refiro-me ao consumo quase generalizado de tabaco e bebidas alcoólicas. Para mim, que como já referi nadei e joguei pólo «à séria», seria absolutamente impensável ver coisas que já vi num campo de Rugby. Vi... ninguém me contou...

Um jogador internacional, substituído ao intervalo, vai assistir aos segundos 40 minutos para a bancada, de cigarro na boca. Jogadores afirmam de forma «desenvergonhada» que sem uma noitada antes do jogo «a coisa nem corre tão bem». Atletas de topo que se queixam de treinar três vezes por semana... quem dera a um nadador!

O mundo oval está mal habituado e nele ainda subsiste aquela filosofia «éférreá» dos tempos que em a modalidade era praticada por grupos de amigos e colegas da universidade. Pois bem: esse tempo terminou. E quem deveria ter consciência disso eram os jogadores, técnicos e dirigentes dos clubes e federação! Penalizações para quem não vive em consunância com a escolha que fez para a sua vida deveriam ser normais. Um jogador que não joga uma partida porque na noite anterior foi sair à noite e está cansado (ou pior...) deveria ser severamente repreendido.

Bem sei que o Rugby é em Portugal uma modalidade amadora! Mas isso não deve ser desculpa para nada. Também eu era amador (aliás, pagava os calções que usava...) e isso nunca me impediu de assumir a minha condição de atleta de alta competição com 100% de consciência do dever perante os meus colegas, clube ou selecção!

Quando se quer tomar outros rumos na vida, tomam-se opções! Eu tomei a minha: deixei de jogar Pólo-Aquático há cerca de 8 anos, e hoje - com 28 - bem me arrependo. É certo que ninguém me tira a cervejinha ao jantar, mas também ninguém me devolve a possibilidade de jogar partidas internacionais, de marcar um golo da vitória a uma equipa de elite francesa (como aconteceu, marcando-me para sempre!), de ter jogado mais e melhor.

Nenhum jogador do Belenenses faz um favor ao clube por vestir a camisola da Cruz de Cristo, receba ou não um cêntimo em retorno. Só joga quem quer, só faz falta quem está na equipa e no clube. Em todas as modalidades praticadas no Restelo! Assim, por respeito ao clube, à sua história de excelência, às equipas (técnicas, de dirigentes e atletas), todo e qualquer jogador do Belenenses deve pensar no mínimo duas vezes antes de fazer algo que interfira no seu desempenho desportivo.

Uma coisa é colocar à frente do desporto opções como o emprego, a família ou os estudos. Outra é querer compatibilizar aquilo que é, por natureza, absolutamente antagónico: a vida de atleta de alta competição com a de «gajo porreira que vai para os copos e fuma uns cigarrinhos».

Não escrevo este texto com intuito moralista, longe disso! Ele é apenas uma chamada de atenção, em especial para os mais novos. O Rugby luso está a subir, e aqueles que hoje se iniciam como bambis, benjamins ou infantis podem, num futuro não muito longínquo, estar a competir de forma regular num campeonato do mundo, ou num circuito mundial de «sevens». Querem chegar lá e brilhar? Ou envelhecer a pensar que poderiam ter feito coisas boas, se tivessem tido cabeça?

Aquilo que escrevo para o Rugby aplica a todas as modalidades. Não basta ter habilidade, não basta ter condições físicas ideais. Não basta gostar de jogar, nem sequer basta treinar muito. É preciso fazer tudo com cabeça, coordenando as diversas dimensões da vida, não deixando nada para trás... nem ficando arrependido de ter passado ao lado de uma carreira melhor por causa de uns cigarrinhos ou de cervejas nas saídas à noite!

Prometo continuar a abordar este assunto novo artigo, dentro de dias.

Belenenses na Foz do Arelho

O Belenenses voltará a participar em provas do circuito nacional de Beach Rugby, que lidera, após a vitória no Torneio de Oeiras, disputado na praia de Santo Amaro. Desta feita, os azuis deslocam-se à Foz do Arelho, para disputar o II NOKIA BEACH RUGBY, tendo como opositores as seguintes equipas: CDUL, Técnico, AAC, Lousã, Caldas, Belas, Univ. Aveiro, Escola Agrária, Elvas, Loulé e Agronomia vet’s.

Equipa Técnica (actualização)

Francisco Borges confirmou ontem ao Blog BELENENSES XV que será o próximo Treinador Principal da equipa de Rugby azul. Borges toma assim o lugar até agora ocupado por Adam Mcdonald.

Como Treinador Adjunto vai contar com a presença de Pedro Netto, que se estreou como treinador no último Circuito de Sevens.

Boa Sorte!

Dados biográficos:


FRANCISCO Maria Monteiro Leite Batista BORGES
44 anos de idade

Ex-jogador do Belenenses («Arrier»)
Como jogador foi internacional A nas equipas de XV e Sevens, Esperanças, Juniores e Juvenis. Foi campeão nacional Junior pelo Belenenses.

Foi treinador adjunto, passando agora ao comando principal da equipa.


PEDRO NETTO Fernandes
32 anos de idade
Jogador do Belenenses (médio-formação)

Como jogador foi internacional A nas equipas de XV e Sevens (sagrou-se campeão europeu de Sevens como jogador) bem como nas categorias de formação. Venceu o campeonato nacional da 1ª Divisão, a Taça de Portugal e a Supertaça 5 de Outubro, ao serviço da equipa principal do clube.

Esta temporada, estreou-se como técnico da selecção nacional de Sevens no circuito da FIRA-AER, tendo-se sagrado campeão europeu de Sevens como treinador.

Nota:

Actualização da notícia originalmente publicada por Afonso Nogueira, dia 9 de Agotso.

Taça Ibérica de Juniores

Continuam as «conversações» entre o Belenenses e o VRAC (Valladolid), com vista à marcação da data da final da Taça Ibérica de Juniores. O encontro será, em princípio, disputado em Setembro, sendo que segundo os regulamentos da prova, mesmo os atletas de um e outro lado que já tenha transitado para o escalão seguinte, poderão apresentar-se para a discussão do troféu.

O local da prova deverá ser Valladolid, já que o Direito recebe em Lisboa o Santboiana, e o CDUL havia recebido no seu estádio a formação congénere espanhola, em 2005/2006. O Belenenses terá, por isso, de tentar o «assalto» ao quarto título ibérico de juniores em solo adversário.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Austrália: a vergonha de Wendell...

Quando um atleta é apanhado nas malhas do dopping cai sobre si - de forma justa, quando esse dopping é tomado de forma consciente! - o estigma do mau desportivista, desonesto para com os adversários, colegas de equipa e com o emblema que representa. O dopping é de facto um problema de grande actualidade no desporto...

Mas igualmente actual é o problema dos hábitos e comportamentos dos desportivistas, dentro e fora dos campos/recintos desportivos. Alguns atletas adoptam posturas excêntricas, que os promovem comercialmente, mas diminuem desportivamente. É um balanço que fazem, tentando «sacar» dele o maior proveito possível. Outros, são apanhados quando menos esperam, já que os regulares exames médicos a que estão sujeitos (felizmente!) lhes «tiram a radiografia» não apenas da sua saúde, mas também dos seus comportamentos mais recentes.

Wendell Sailor foi recentemente «apanhado» por esses mesmos testes, que revelaram indícios de consumo de cocaína no seu sangue. Convenhamos que é grave, ainda para mais sendo Wendell um atleta de topo da Rugby Union e da Rugby League australianas, tendo no seu currículo marcas invejáveis. Trata-se de um jogador da selecção da Union dos Wallabies e da equipa dos Warathas, no Super14.


Legenda: Wendell Sailor, ao serviço dos Wallabies.

Sailor luta agora pela sua sobrevivência como jogador de Rugby profissional, utilizando para isso argumentos perfeitamente... inacreditáveis! Como não pode negar o consumo das drogas, Sailor afirma que o consumo de cocaína 4 dias antes de um jogo não contraria regulamentos, e que o castigo a aplicar para o consumo deste tipo de drogas deve levar em linha de conta anteriores decisões judiciais, como a que aconteceu relativamente ao tenista argentino Mariano Puerta.

O que é certo é que nos próximos dois anos, Wendell Sailor terá de ver o Rugby na bancada... O que certamente afectará o seu percurso desportivo profissional, já que quando estiver novamente disponível para a competição terá... 34 anos!

Um exemplo - pela negativa - a ter em conta!

Sobre comportamentos correctos e incorrectos levados a cabo por atletas publicaremos em breve dois artigos de sensbilização, baseados em textos «oficiais» da RFU. Por hora fica esta notícia chegada do outro lado do mundo, que já fez correr muita tinta.

Um XV (im)possível...

Eleger um XV internacional - estilo «selecção do mundo» - é um exercício arriscado e até um pouco inútil, reconheço-o. Juntar numa equipa imaginária quinze atletas que dificilmente jogarão em conjunto alguma vez na vida... é isso mesmo: um mero exercício de imaginação, mas que pode dizer algo acerca da forma como vemos o jogo, como apreciamos o desempenho dos jogadores e... até alguns caprichos pessoais!

Aproveitando este período de paragem de competições nacionais e até de actividade da equipa nacional (ao nível competitivo) coloquei-me a mim mesmo o tal desafio: encontrar um XV que fosse, para mim, ideal. O resultado foi muito tempo a pensar em jogadores e nas suas características, em múltiplas possibilidades para cada um dos lugares. As posições mais complicadas foram a de talonador, médio-formação, primeiro centro e «arrier». Mas as outras foram igualmente sujeitas a dúvidas e interrogações.

Bem, sem mais notas introdutórias, eis o XV que gostaria de testar em conjunto, um dia. Uma impossibilidade prática óbvia, mas uma equipa de luxo, na minha cabeça. Aproveito para vos convidar a constituir o vosso próprio XV internacional, na caixa de comentários deste texto:

Avançados:


1. Tony Woodcock (Nova Zelândia/Auckland Blues)
2. Steve Thompson (Inglaterra/Northampton Saints)
3. Carl Hayman (Nova Zelândia/Otago Highlanders)


4. Chris Jack (Nova Zelândia/Canterbury Crusaders)
5. Paul O'Connell (Irlanda/Munster)


6. Jason White (Escócia/Sale Sharks)
7. Ricchie McCaw (Nova Zelândia/Canterbury Crusaders)
8. Jerry Collins (Nova Zelândia/Wellington Hurricanes)

Médios:


9. Peter Stringer (Irlanda/Munster)
10. Daniel Carter (Nova Zelândia/Canterbury Crusaders)

Defesas:


11. Bryan Habana (África do Sul/Blue Bulls)
12. Tana Umaga (Nova Zelândia/Wellington Hurricanes)
13. Brian O'Driscoll (Irlanda/Leinster)
14. Rico Gear (Nova Zelândia/Canterbury Crusaders)


15. Josh Lewsey (Inglaterra/London Wasps)

Em resumo:

Nova Zelândia - 8 jogadores
Inglaterra - 2 jogadores
Escócia - 1 jogador
Irlanda - 3 jogadores
África do Sul - 1 jogador

Bem vistas as coisas este é apenas um XV possível. Outros 15, 30 ou 45 jogadores poderiam fazer parte dele... E dá que pensar como é que não consegui encaixar nesta equipa um único jogador francês (a França é hoje uma verdadeira equipa, com elementos de enorme valia e é «apenas» n.º2 do Ranking da IRB) ou da Austrália...

No fundo não passa de uma possibilidade, que serve mais para dar que pensar aos outros - aos nossos poucos leitores! - e meter-nos a pensar a nós - neste caso a mim, amante da modalidade.